Terça feira fui no cinema com a Flora e a Luci. Vimos HSM 3 que tinha estreado na última sexta feira. Confesso que não sou uma mãe muito entusiasta com programas, filmes e desenhos dedicados aos teens. Mas fui por que fui convocada, e por que ouvi dizer por ai que fazia parte do meu papel de mãe. E venhamos, um filminho água com açúcar de vez em quando não faz mal a ninguém. Mas aí é que começam os problemas. High School Musical 3 não funciona nem como clichê. É muito, muito, muito ruim. A começar pelo musical, as músicas são péssimas, os atores idem, e a história (se é que pode se considerar que existe um enredo por trás daquilo ali) é mais boba que a mais boba das histórias. Pior que esse caldeirão de idéias fracas é ver as crianças, e mães, e pais, batendo palmas nos momentos de canções e muito empolgados com aquela água sem açúcar. Após a sessão, ainda no banheiro, não resisti “meninas, desculpe, mas, sinceramente, que filminho ruim!” e depois disso um monte de argumentos, justificando que eu tinha adorado o passeio, e que mesmo as coisas ruins me divertem por que nos fazem refletir sobre a péssima qualidade dos enlatados americanos. No carro, na volta, a Flora e a Luci (já to aplicando as amigas nessa coisa de pensar naquilo que gosta de uma forma um pouco mais atenta) chegam a seguinte conclusão “olha, criticamente falando, o filme é ruim, mas nem por isso a gente deixa de gostar” e depois me contaram que o “casal negro” do filme, tinha feito o teste para serem os protagonistas, mas foram preteridos pelos ohos azuis do mocinho escolhido. Na visão da Flora o homem e a mulher que compõem esse casal negro, que acabaram virando coadjuvantes, álém de serem os que atuam e cantam melhor são também os mais bonitos e, portanto, deveriam ser os principais. Será que ela pensa isso de verdade ou será que ela pensa isso apenas para ir contra os estereótipos dos padrões de beleza e status impostos socialmente? Será que essa é a verdade dela? não são todas as verdades construções? De toda forma, essas atitudes politicamente corretas sempre me incomodam um pouco, por que fica parecendo que o único modo de negar os padrões é invertendo os valores. E isso sempre me soa meio falso, forçado e até meio ingênuo. Ta bem, ta bem, é melhor que a alienação absoluta daqueles que só faltam fazer a coreografia em plena sessão de cinema.
3 comentários:
Mãe! Padecer no paraíso...
queria comentar mais, mas essa história de não conhecer a Flora direito me tira do sério.
Por hora fici em atitude de prtesto e não comentarei nem a última parte que chama mminha atenção.
Mas tenho que perguntar: O copem( é assim a sigla?) educa, ou re-educa para as relações raciais?
a sigla Coopen significa Cooperativa de Ensino, por isso é com dois "Os" e com "N" ;)
Se educam ou re-educam para relações raciais é uma pergunta mt difícil. Tenho certeza que sim, agora se o fazem de forma explícita, diria que não, ah não ser que surja algum projeto afim. Pra falar verdade, até hj, mesmo eu ja tendo feito projetos escolares sobre tal temática, ainda não sei bem qual é maneira "certa" de abordar esse tema na escola, sem que ele fique com aquele ar que eu descrevi no post de atitude politicamente correta. para mim os negros não tÊm que ser simplesmente "aceitos" ou "respeitados" eles têm que estar incluidos em condições iguais, mas de modo que isso não tenha nem que ser dito. ai, ai, falaremos eternamente disso minha querida kelly?
É, eu sei bem o que você sentiu, porque uma vez levei um sobrinho para assistir "Herby, meu fusca turbinado". Tudo, exatamente nas suas palavras pode ser aplicado ao que eu senti. Quando "entreguei" meu sobrinho pra minha irmã ela perguntou: "E o filme"? Bem eu descasquei o filme, mas disse que meu sobrinho tinha adorado. Mas depois me incomodou porque eu vi, pela primeira vez, ele ficar em pé na poltrona e compartilhar com as outras crianças daquela empolgação, de rir com as outras... enfim... como esse filme poderia ser ruim? Muito da explicação pro gosto infantil nesse caso vem do fato de que essa é uma série que encantou muitos pais, inclusive o dele. Ora... unir um desejo à lei é o que se espero do nosso sistema simbólico ou da nossa cultura, em outras palavras. E o filme fez isso com maestria. Que eu também não pude entender. Acho que agente é que perdeu o barato do negócio. Nós vemos um filme... eles conseguem achar "o filme pode ser ruim, mas agente gostou". E o filme não é aquela série de imagens e trilha, timing pra tal cena, para o todo... nem pra gente é assim... É uma articulação de símbolos, de personagens que encarnam certas "facções" de cada serzinho ali, uma viagem interior tão profunda quanto a que tive assitindo The Wall pela primeira ou pela vigésima vez. Daí o comentário da Flora. O que representam os "negros" do filme? Creio que são o que ela tem dentro dela, na psiquê e também no corpo que não é nunca colocado no pedestal em função da massificação da imagem ideal, do valor ideal. Mas que ela sabe que é o que faz com que ela tenha a "ilusão" (ilusão já é meu ponto de vista) - essencial pro indivíduo da nossa época - de que ela é um ser singular; perceber "aliados" nesse sentimento deve ser algo de transcendente para as crianças. Nesse dia que levei meu sobrinho eu vi que o filme que ele viu foi a vitória do fusca, também sempre relegado à um lugar pouco honroso (curiosamente o pai teve um fusca por anos... antes dele nascer,, mas foi parte da história dele). Freud diria que o fundo de todo "fantasma" de toda "ilusão" de uma identidade no neurótico (a maioria dos nossos normais) poderia ser resumida a uma frase: "Uma criança é espancada." Nos dias de hoje isso é forte demais... bastaria um "Uma criança é injustiçada". Acho que ele tinha uma certa razão. Percebo isso em mim. A queixa essencial que dá origem à nossa singularidade tem sempre esse lema de fundo: "Uma criança é subestimada, maltratada, injustiçada, espancada...". Mas isso é bem no fundo mesmo e fica ali só de ressonância... só o fantasma. Ehhh... afinal... viva a alegria delas no High School Musical. :o). E agente que aguente. Mas... ok, mama Sara, é dureza. Vamos dando opções. no início meu dito sobrinho só aceitava que bala era algo gostoso... demorou muito até sorvete entrar e chocolate, só recentemente. Iamgino quanto tempo levará o queijo e o azeite. É assim... mas é maravilhoso isso no desenvolvimento desses... snifs... pequeninos. :o)
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