domingo, 30 de novembro de 2008
notícias do mundo de lá...
Essa semana fui interrogada diversas vezes sobre como estava a Flora na Índia com todos esses atentados e mortes. E o que eu respondi a todos é que um silêncio absoluto era o que pairava na minha caixa de e-mail.
Tentei me convencer que essas notícias chegam aqui tais quais as de violência no Brasil chegam no exterior. e que continuamos todos vivos, e sem saber direito onde é a favela do Alemão.
Assim, imagino que sem dúvida sabemos mais dos atentados do que a Flora que está relativamente mais próxima.
Ontem recebi esse e-mail, que me divertiu e tranquilizou. aliás, achei que continua apressado, mas... tá , vou parar de reclamar.
"oi mae
tenho que escrever rapido a,anha te esctevo mais. Esta tudo bem e eu vou postar no blog a,amha. Ja to,ei banho no ganga e coloquei naja no pescoco mas sem querer deletei as fotos de todo mundo com a naja como cachegol. Esramos longe da internet, por isso esta meio difigol escrever, estamos em rishikesh, r ja esdou otima, adorando tudo. Esse teckado tem problema, nao desaprendi o portugues.
Beijos re escrevo mais depois e re amo."
o final é o mais engraçado.
Tentei me convencer que essas notícias chegam aqui tais quais as de violência no Brasil chegam no exterior. e que continuamos todos vivos, e sem saber direito onde é a favela do Alemão.
Assim, imagino que sem dúvida sabemos mais dos atentados do que a Flora que está relativamente mais próxima.
Ontem recebi esse e-mail, que me divertiu e tranquilizou. aliás, achei que continua apressado, mas... tá , vou parar de reclamar.
"oi mae
tenho que escrever rapido a,anha te esctevo mais. Esta tudo bem e eu vou postar no blog a,amha. Ja to,ei banho no ganga e coloquei naja no pescoco mas sem querer deletei as fotos de todo mundo com a naja como cachegol. Esramos longe da internet, por isso esta meio difigol escrever, estamos em rishikesh, r ja esdou otima, adorando tudo. Esse teckado tem problema, nao desaprendi o portugues.
Beijos re escrevo mais depois e re amo."
o final é o mais engraçado.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Diga não aos e-mail de três frases!!!
Claro, se eles forem burocráticos não há problema algum. Agora, e-mail de amigos distantes, de amores passados e de filhos na Índia não podem ter só três frases. Definitivamente. Dispenso esses. Eu gosto é de longas conversas e reflexões. Odeio aqueles que dizem, “E ai, tudo bem? Como vai?” ou “Aqui está tudo bem”. Não quero saber se está tudo bem apenas, quero detalhes, quero casos, quero curiosidades, quero sentimentos, quero sinal de vida vivida.
Esse ano tive quatro decepções nesse sentido. Uma que já se arrasta por anos, que na verdade não é via e-mail, mas sim via tel. Ele me liga sempre, quase toda semana. O celular me permite ver imediatamente quanto tempo durou a ligação. As dele nunca passaram de um minuto. Um minuto. Então resolvi parar de ligar e as vezes até de atender. Ele poderia gravar uma mensagem no celular e programá-lo para me ligar automaticamente uma vez por semana. Daria na mesma. “oi, tudo bem?” “tudo e ai? “tudo bem também, e a flora?” “tudo jóia, e as meninas?” “também.” “ah, então ta” “ta” bj e tchau. Argh, argh, argh!!!
O segundo e o terceiro já foram resolvidos, são meninos espertos que perceberam que eu preciso de mais do que um oi, como vai.
E a última, minha filha, ainda tem dois meses para me convencer de que é merecedora do meu legado... uhauahuahua... to pegando pesado mesmo. Se quiser falar comigo, fale de verdade, fale por inteiro, não sou mulher de meias palavras.
Esse ano tive quatro decepções nesse sentido. Uma que já se arrasta por anos, que na verdade não é via e-mail, mas sim via tel. Ele me liga sempre, quase toda semana. O celular me permite ver imediatamente quanto tempo durou a ligação. As dele nunca passaram de um minuto. Um minuto. Então resolvi parar de ligar e as vezes até de atender. Ele poderia gravar uma mensagem no celular e programá-lo para me ligar automaticamente uma vez por semana. Daria na mesma. “oi, tudo bem?” “tudo e ai? “tudo bem também, e a flora?” “tudo jóia, e as meninas?” “também.” “ah, então ta” “ta” bj e tchau. Argh, argh, argh!!!
O segundo e o terceiro já foram resolvidos, são meninos espertos que perceberam que eu preciso de mais do que um oi, como vai.
E a última, minha filha, ainda tem dois meses para me convencer de que é merecedora do meu legado... uhauahuahua... to pegando pesado mesmo. Se quiser falar comigo, fale de verdade, fale por inteiro, não sou mulher de meias palavras.
pequena filósofa
Aprendi a transformar a espera dos amigos, daqueles que sempre se atrasam mesmo, em bons momentos de observação da vida alheia. Tenho me tornado uma verdadeira voyeur do cotidiano. Ontem no CEU uma garotinha Clara, pais professores, intelectuais, ou algo do tipo e uma “babá”, menina-rica-loira que na verdade mais parecia uma filha de amigos do casal intelectual que tava querendo trabalhar pra fazer um pezinho de meia. O sotaque denunciava a origem sulista. A menina não precisava de babá. Já era grande e pelo meu olho clínico tinha exatos oito anos. Sou expert em descobrir idade de crianças. É só observar os sinais. Mesmo aquelas que são grandes demais, ou pequenas demais pra idade é possível adivinhar. E a Clara, essa garota ai que tava no CEU e que eu só sei o nome porque ouvi uma centena de vezes nos dez minutos de espera, tinha essa idade porque ainda usava franjinha, os dentes permanentes ainda estavam pela metade, fazia brincadeiras na piscina de ser atirada longe (mas esse tipo de brincadeira ela já tava parando de gostar) e se divertia testando sua própria capacidade de prender a respiração por longo tempo debaixo d’água, gostava de competições e tinha nos pais seus verdadeiros ídolos (ainda).
Mas o melhor foi a Clara dando um show de filosofia na menina-rica-loira-babá. A última propôs uma brincadeira de pega-pega na piscina. A Clara topou, mas após dois minutos e a percepção “clara” de que estava em desvantagem, deu uma tossida, não foi bem um fingimento de afogamento, longe disso, apenas um pequeno engasgo, mas tão logo a menina-rica-loira-babá veio ao seu encontro para ajudá-la, sem titubear Clara disse: “te peguei!” E a menina-rica-loira-babá: “espertinha!” e a Clara, meu deus, no auge de seus oito anos: “se não pode vencê-los, junte-se a eles!” A menina-rica-loira-babá num entendeu nada: “Anh?!” e a explicação didática veio em seguida pela própria Clarinha: “Veja bem se vc não consegue ir até a coisa você dá um jeito dela vir até você.”
Eu adoro a filosofia infantil.
Eu quis ir conversar com a menina, mas o olhar dos pais me constrangeu. Em tempos de pedofilia é bom nos resguardar de qualquer aproximação gratuita.
Por isso tenho meus próprios filhos. Pra transformá-los em seres pensantes. Em filósofos natos. Que saudade da minha filha e de suas reflexões. Minha pequena onde quer que esteja...
Mas o melhor foi a Clara dando um show de filosofia na menina-rica-loira-babá. A última propôs uma brincadeira de pega-pega na piscina. A Clara topou, mas após dois minutos e a percepção “clara” de que estava em desvantagem, deu uma tossida, não foi bem um fingimento de afogamento, longe disso, apenas um pequeno engasgo, mas tão logo a menina-rica-loira-babá veio ao seu encontro para ajudá-la, sem titubear Clara disse: “te peguei!” E a menina-rica-loira-babá: “espertinha!” e a Clara, meu deus, no auge de seus oito anos: “se não pode vencê-los, junte-se a eles!” A menina-rica-loira-babá num entendeu nada: “Anh?!” e a explicação didática veio em seguida pela própria Clarinha: “Veja bem se vc não consegue ir até a coisa você dá um jeito dela vir até você.”
Eu adoro a filosofia infantil.
Eu quis ir conversar com a menina, mas o olhar dos pais me constrangeu. Em tempos de pedofilia é bom nos resguardar de qualquer aproximação gratuita.
Por isso tenho meus próprios filhos. Pra transformá-los em seres pensantes. Em filósofos natos. Que saudade da minha filha e de suas reflexões. Minha pequena onde quer que esteja...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
PAISAGENS COSMOPOLITAS
* Contei 457 pessoas na fila do metro Barra Funda no domingo às 19:30 quando eu, ingenuamente, ia para o cinema.
* Fui e voltei, coincidentemente no mesmo vagão de metro que uma pós-adolescente. Descemos no mesmo ponto e provavelmente assistimos ao mesmo filme. Digo coincidentemente porque em uma cidade de XY milhões de habitantes penso que trata-se de algo pouco provável. Ou será que os guetos permitem isso? Será que já cunharam a expressão “SP é um ovo?”
* Minhas irmãs (14 e 18) não usam mais condicionador. Nem tem mais no box do bnheiro. Expressão de um tempo que quer cabelos rebeldes, disformes, menos comportados. É tempo de pomadas!
* Não aos saquinhos plásticos! E eu, ingênua, sentindo falta de puxa-sacos nas casas alheias. Agora todo mundo tem uma sacola, cada uma mais bacana que a outra, para trazer as compras do mercado.
* Vicky Cristina Barcelona foi o meu “passeio cultural obrigatório” de SP...rs... Woody, vc continua a ser o melhor para tratar a neurose e obsessão nos relacionamentos amorosos contemporâneos....uhauha
* Chorei em um aeroporto pela primeira vez na minha vida. Igual criança. (e lá se foi ela pro mundo de lá).
* Doei meu ouvido e minha mente a ouvir e refletir sobre as confissões de uma amigo desolado pelo amor.
* Descobri que Barão Geraldo, distrito de Campinas que abriga a UNICAMP, parece uma cidadezinha do interior. Muitíssimo agradável, por sinal. To gostando dessa coisa de cidades pacatas... quem diria...rs... isso é a oposição completa ao meu “ar cosmopolita” advindo da origem e criação...hehe.
* Me senti mais próxima como pessoa e mais vulnerável como ser humano. Pela possibilidade da perda.
* Fiz planos mentais.
* Fui e voltei, coincidentemente no mesmo vagão de metro que uma pós-adolescente. Descemos no mesmo ponto e provavelmente assistimos ao mesmo filme. Digo coincidentemente porque em uma cidade de XY milhões de habitantes penso que trata-se de algo pouco provável. Ou será que os guetos permitem isso? Será que já cunharam a expressão “SP é um ovo?”
* Minhas irmãs (14 e 18) não usam mais condicionador. Nem tem mais no box do bnheiro. Expressão de um tempo que quer cabelos rebeldes, disformes, menos comportados. É tempo de pomadas!
* Não aos saquinhos plásticos! E eu, ingênua, sentindo falta de puxa-sacos nas casas alheias. Agora todo mundo tem uma sacola, cada uma mais bacana que a outra, para trazer as compras do mercado.
* Vicky Cristina Barcelona foi o meu “passeio cultural obrigatório” de SP...rs... Woody, vc continua a ser o melhor para tratar a neurose e obsessão nos relacionamentos amorosos contemporâneos....uhauha
* Chorei em um aeroporto pela primeira vez na minha vida. Igual criança. (e lá se foi ela pro mundo de lá).
* Doei meu ouvido e minha mente a ouvir e refletir sobre as confissões de uma amigo desolado pelo amor.
* Descobri que Barão Geraldo, distrito de Campinas que abriga a UNICAMP, parece uma cidadezinha do interior. Muitíssimo agradável, por sinal. To gostando dessa coisa de cidades pacatas... quem diria...rs... isso é a oposição completa ao meu “ar cosmopolita” advindo da origem e criação...hehe.
* Me senti mais próxima como pessoa e mais vulnerável como ser humano. Pela possibilidade da perda.
* Fiz planos mentais.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
"O MUNDO É UMA ESCOLA, A VIDA É UM CÍRCULO"

Quando fiz dez anos e estava na quarta série meu pai levou eu e meu irmão para Paris.
Lembro que fomos no final de junho e portanto perdemos alguns dias de aula.
O que não era um problema em termos de prejuízos disciplinares uma vez que eu era “uma das melhores alunas”.
Mas eu lembro que eu perderia a festa junina.
E portanto os milhões de ensaios precedentes.
E lembro que me senti excluída por isso. Uma vez que durante todo o mês de junho as aulas de educação física (que a propósito eu adorava) foram gastas com esses ensaios.
Lembro que fomos no final de junho e portanto perdemos alguns dias de aula.
O que não era um problema em termos de prejuízos disciplinares uma vez que eu era “uma das melhores alunas”.
Mas eu lembro que eu perderia a festa junina.
E portanto os milhões de ensaios precedentes.
E lembro que me senti excluída por isso. Uma vez que durante todo o mês de junho as aulas de educação física (que a propósito eu adorava) foram gastas com esses ensaios.
Mas eu ia para Paris, então, uma festinha junina a mais ou a menos pouco importava. (aos olhos dos outros).
Não sei se meu pai sabe que eu perdi essa festa. E muito menos que isso poderia ser um grande problema, como para mim era.
A viagem pra Paris foi bem legal, e eu nem to reclamando não....rs.
19 anos depois....
Quando a Flora fez onze anos o pai dela resolveu leva-la para a Índia. Mas por motivos rodriguisticos (hehe) ele teria que ir em novembro. E o que me preocupou, de início, era a possibilidade dela perder as comemorações da formatura da quarta série. Pois sei que isso poderia representar uma perda irrecuperável. Tão marcante quanto uma viagem à Índia.
Posso parecer uma louca paranóica com as obrigações escolares, mas... ah, ta, de repente eu sou uma louca mesmo, num vou ficar justificando nada não :)
Ela vai na semana que vem.
Meu Deus, para a Índia!!!
Tão longe, tanto tempo, tão diferente, tão... (suspiros)
E só volta no início de fevereiro.
Vai ser uma experiência pro resto da vida e tomara que de boas lembranças.
Ninguém vai pra Índia.
E, por isso, essa viagem virou um ACONTECIMENTO. Todo mundo que a vê só fala disso. A viagem de formatura dela foi antecipada, oficialmente, por que “um aluno irá fazer uma viagem ao exterior”... e depois disso choveram perguntas, querendo saber, quando, onde, pra que, com quem....
A Coopen é tão bacana e atenciosa para com os seus alunos que não a deixariam de fora desse fechamento de ciclo. E conseguiram fazer de um jeito que valorizaram tanto a viagem de formatura quanto a dela para a Índia. E em termos de perda de conteúdos disciplinares, pouco me importo, afinal, a Flora é “uma das melhores alunas da sala”, então, o que perder, tira de letra em dois tempos. E ela merece muito, muito. Por que esse ano, mais do que os outros, ela foi uma filha e tanto.
Loucuras de uma mãe professora à parte, eu sei que essa viagem, no final das contas, será o máximo, que ela vai ver um monte de coisas diferentes, e comer comidas exóticas, e ter que se virar pra se comunicar, e etc, etc,etc.
Boa viagem minha pequena! A mamãe vai estar te esperando aqui.
Não sei se meu pai sabe que eu perdi essa festa. E muito menos que isso poderia ser um grande problema, como para mim era.
A viagem pra Paris foi bem legal, e eu nem to reclamando não....rs.
19 anos depois....
Quando a Flora fez onze anos o pai dela resolveu leva-la para a Índia. Mas por motivos rodriguisticos (hehe) ele teria que ir em novembro. E o que me preocupou, de início, era a possibilidade dela perder as comemorações da formatura da quarta série. Pois sei que isso poderia representar uma perda irrecuperável. Tão marcante quanto uma viagem à Índia.
Posso parecer uma louca paranóica com as obrigações escolares, mas... ah, ta, de repente eu sou uma louca mesmo, num vou ficar justificando nada não :)
Ela vai na semana que vem.
Meu Deus, para a Índia!!!
Tão longe, tanto tempo, tão diferente, tão... (suspiros)
E só volta no início de fevereiro.
Vai ser uma experiência pro resto da vida e tomara que de boas lembranças.
Ninguém vai pra Índia.
E, por isso, essa viagem virou um ACONTECIMENTO. Todo mundo que a vê só fala disso. A viagem de formatura dela foi antecipada, oficialmente, por que “um aluno irá fazer uma viagem ao exterior”... e depois disso choveram perguntas, querendo saber, quando, onde, pra que, com quem....
A Coopen é tão bacana e atenciosa para com os seus alunos que não a deixariam de fora desse fechamento de ciclo. E conseguiram fazer de um jeito que valorizaram tanto a viagem de formatura quanto a dela para a Índia. E em termos de perda de conteúdos disciplinares, pouco me importo, afinal, a Flora é “uma das melhores alunas da sala”, então, o que perder, tira de letra em dois tempos. E ela merece muito, muito. Por que esse ano, mais do que os outros, ela foi uma filha e tanto.
Loucuras de uma mãe professora à parte, eu sei que essa viagem, no final das contas, será o máximo, que ela vai ver um monte de coisas diferentes, e comer comidas exóticas, e ter que se virar pra se comunicar, e etc, etc,etc.
Boa viagem minha pequena! A mamãe vai estar te esperando aqui.
PS: para quem se interessar a flora fez um blog especialmente para a viagem e o Rodrigo também fez um (!!!!! pra quem era tão contra computador... uma enorme evolução...rs)
vejam ai:
http://blogbordo.blogspot.com/ - é o da flora
http://caravanavadhuta.blogspot.com/ - é o do Rodrigo
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
HIGH SCHOOL MUSICAL 3– não funciona nem como clichê.
Terça feira fui no cinema com a Flora e a Luci. Vimos HSM 3 que tinha estreado na última sexta feira. Confesso que não sou uma mãe muito entusiasta com programas, filmes e desenhos dedicados aos teens. Mas fui por que fui convocada, e por que ouvi dizer por ai que fazia parte do meu papel de mãe. E venhamos, um filminho água com açúcar de vez em quando não faz mal a ninguém. Mas aí é que começam os problemas. High School Musical 3 não funciona nem como clichê. É muito, muito, muito ruim. A começar pelo musical, as músicas são péssimas, os atores idem, e a história (se é que pode se considerar que existe um enredo por trás daquilo ali) é mais boba que a mais boba das histórias. Pior que esse caldeirão de idéias fracas é ver as crianças, e mães, e pais, batendo palmas nos momentos de canções e muito empolgados com aquela água sem açúcar. Após a sessão, ainda no banheiro, não resisti “meninas, desculpe, mas, sinceramente, que filminho ruim!” e depois disso um monte de argumentos, justificando que eu tinha adorado o passeio, e que mesmo as coisas ruins me divertem por que nos fazem refletir sobre a péssima qualidade dos enlatados americanos. No carro, na volta, a Flora e a Luci (já to aplicando as amigas nessa coisa de pensar naquilo que gosta de uma forma um pouco mais atenta) chegam a seguinte conclusão “olha, criticamente falando, o filme é ruim, mas nem por isso a gente deixa de gostar” e depois me contaram que o “casal negro” do filme, tinha feito o teste para serem os protagonistas, mas foram preteridos pelos ohos azuis do mocinho escolhido. Na visão da Flora o homem e a mulher que compõem esse casal negro, que acabaram virando coadjuvantes, álém de serem os que atuam e cantam melhor são também os mais bonitos e, portanto, deveriam ser os principais. Será que ela pensa isso de verdade ou será que ela pensa isso apenas para ir contra os estereótipos dos padrões de beleza e status impostos socialmente? Será que essa é a verdade dela? não são todas as verdades construções? De toda forma, essas atitudes politicamente corretas sempre me incomodam um pouco, por que fica parecendo que o único modo de negar os padrões é invertendo os valores. E isso sempre me soa meio falso, forçado e até meio ingênuo. Ta bem, ta bem, é melhor que a alienação absoluta daqueles que só faltam fazer a coreografia em plena sessão de cinema.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
TERRITORIALIDADE – parte 1/3 “De onde você é?”
Essa é uma pergunta que causa mais constrangimentos à mim (constrangimento: num sentido próprio do qual gosto de usar essa palavra que é isento de conotação negativa) do que à maioria das pessoas (isso considerando que a maioria das pessoas:ou nasceram onde moram, ou vieram de algum interior, no máximo um outro estado, e raramente de um outro país, e mais raramente ainda de uma cidade que, sem dúvidas, é não só a mais famosa, como a mais glamourosa da Europa, quiçá do mundo. Não que eu me envergonhe de ser de onde eu sou. Mas talvez por que essa pergunta me obriga, sem escolha, a compartilhar uma certa intimidade, sem que isso seja uma escolha. Mas no fundo acho que o que me constrange é exatamente por não corresponder à expectativa que a surpresa na nacionalidade causa. Isso não é exatamente um problema de auto-estima, nem nada disso não, algo tipo eu não estou à altura das francesas, não é nada disso, rs. É pelo simples fato de que eu não possuo nenhuma vivência da qual eu me lembro (por ter voltado com 9 meses) sobre o lugar de onde eu sou. Talvez “ter nascido em Paris” possa ter tido mais influência na construção daquilo que eu sou (essas coisas de identidade e etc) do que eu imagino. E ai fico com essas racionalizações superficiais como a que fiz acima: “não morei lá, logo, não sou de lá”. Mas, se é que existe essa tal influência, com certeza ela só foi construindo a minha “identidade” pelo fato de que a pergunta que dá título a esse texto nos é feita muitas vezes ao longo da vida (mais do que .vocês, os que sempre respondem naturalmente à ela, possam imaginar). Muitas vezes, inclusive sem que haja qualquer intimidade entre os interlocutores. Agora pensem que todas as vezes que ela me foi feita na vida ela desencadeou algum tipo de comentário, reação ou pedidos de explicação. É engraçado por que é algo que funciona em mim como um “estigma positivo”, e por isso mesmo carregado de estereótipos. E
estereótipos são sempre complicadíssimos por que é difícil driblá-los. Acho interessantíssimo reparar, por exemplo, no fascínio que nutre o imaginário coletivo ao redor dessa cidade. Fascínio este que é automaticamente transferido (psicanaliticamente falando) a mim, assim gratuitamente, sem que eu tenha qualquer controle da situação. Tem todo um charme, claro, mas no fundo, no fundo, fica mais a sensação de engodo do que de identificação. E eu, ai, ai, ai acho que eu sou só uma marionetezinha mesmo... já ouvi tantas vezes...“É, bem que eu já tinha reparado que você tem um jeitinho meio francesa mesmo”...haha... será? Meu Deus, que medo eu tenho desses comentários. Pqp, quantas coisas ocultas exprimimos com a nossa aparência? Larguei a análise e fiz um blog.
Fichas médicas e questionários
estereótipos são sempre complicadíssimos por que é difícil driblá-los. Acho interessantíssimo reparar, por exemplo, no fascínio que nutre o imaginário coletivo ao redor dessa cidade. Fascínio este que é automaticamente transferido (psicanaliticamente falando) a mim, assim gratuitamente, sem que eu tenha qualquer controle da situação. Tem todo um charme, claro, mas no fundo, no fundo, fica mais a sensação de engodo do que de identificação. E eu, ai, ai, ai acho que eu sou só uma marionetezinha mesmo... já ouvi tantas vezes...“É, bem que eu já tinha reparado que você tem um jeitinho meio francesa mesmo”...haha... será? Meu Deus, que medo eu tenho desses comentários. Pqp, quantas coisas ocultas exprimimos com a nossa aparência? Larguei a análise e fiz um blog.
Fichas médicas e questionários
Naturalidade: Brasileira.
Nacionalidade: Paris – FR.
Estado: em branco (na França não tem divisão de estados, oras)
Identidade: ?
PS: esqueci de um detalhe fundamental: esse negócio de ter nascido em Paris é só mais um capítulo charmoso da vida de AV presente nas melhores livrarias do país. Para aprofundar o entendimento desse tópico recomendo, aos meus fiéis leitores, o livro: “Afinal o que viemos fazer em Paris?” de Alberto Villas, Editora Globo. ;)
PS: esqueci de um detalhe fundamental: esse negócio de ter nascido em Paris é só mais um capítulo charmoso da vida de AV presente nas melhores livrarias do país. Para aprofundar o entendimento desse tópico recomendo, aos meus fiéis leitores, o livro: “Afinal o que viemos fazer em Paris?” de Alberto Villas, Editora Globo. ;)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
A VIDA ROLA
A VIDA ROLA
(Flora Villas Carvalho e Luisa Machado)
As vezes fico pensando
Lá fora tem de tudo,
Desde carros diferentes
Até roupas de veludo
Lá fora é vida real,
Tem casas, lojas e prédios,
Mas nada
Nunca é igual
Atrás do muro
Rola de tudo
Desde gente namorando
Até gente assaltando
Aqui estamos no claro
Lá fora estamos no escuro
Mas em nenhum dos dois
Estamos totalmente seguros
As vezes fico pensando:
- Caramba! Lá fora a vida ta rolando!
(Flora Villas Carvalho e Luisa Machado)
As vezes fico pensando
Lá fora tem de tudo,
Desde carros diferentes
Até roupas de veludo
Lá fora é vida real,
Tem casas, lojas e prédios,
Mas nada
Nunca é igual
Atrás do muro
Rola de tudo
Desde gente namorando
Até gente assaltando
Aqui estamos no claro
Lá fora estamos no escuro
Mas em nenhum dos dois
Estamos totalmente seguros
As vezes fico pensando:
- Caramba! Lá fora a vida ta rolando!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Pela janela do metrô.
A Coopen é uma escola super bacana e é lá que a Flora estuda.
Quando eu era criança eu também estudei numa escola bacana.
Chamava Escola da Vila.
E eu cresci com o maior orgulho de dizer que minha turma foi uma das primeiras a se formar lá.
Essa escola cresceu e virou uma referência nacional em termos de pedagogia diferenciada.
E eu não tenho a menor dúvida de que virei educadora graças a essa experiência.
A Coopen não cresceu ainda, assim em termos de visibilidade e estrutura física, mas deveria.
E deveria por que tem aquilo que mais devemos prezar em uma escola, que é o espaço para que surja o desejo pelo conhecimento.
Lá, a Flora vira poeta com facilidade.
Outro dia fizeram uma visita ao metrô.
E da visita surgiram poesias e talvez as poesias voltem pro metrô em forma de arte .
Por que a Coopen não dá ponto sem nó.
PELA JANELA DO METRÔ
(Flora Villas Carvalho)
Pela janela eu vi,
ruas e casas andantes
das quais tive uma imagem
totalmente deslumbrante.
Pela janela eu vi,
lojas e prédios diferentes
e um sorriso e uma lágrima
no rosto de toda gente.
Pela janela eu vi,
o telefone e o extintor
e com os olhos cheios d’água
disse adeus cheia de dor.
Quando eu era criança eu também estudei numa escola bacana.
Chamava Escola da Vila.
E eu cresci com o maior orgulho de dizer que minha turma foi uma das primeiras a se formar lá.
Essa escola cresceu e virou uma referência nacional em termos de pedagogia diferenciada.
E eu não tenho a menor dúvida de que virei educadora graças a essa experiência.
A Coopen não cresceu ainda, assim em termos de visibilidade e estrutura física, mas deveria.
E deveria por que tem aquilo que mais devemos prezar em uma escola, que é o espaço para que surja o desejo pelo conhecimento.
Lá, a Flora vira poeta com facilidade.
Outro dia fizeram uma visita ao metrô.
E da visita surgiram poesias e talvez as poesias voltem pro metrô em forma de arte .
Por que a Coopen não dá ponto sem nó.
PELA JANELA DO METRÔ
(Flora Villas Carvalho)
Pela janela eu vi,
ruas e casas andantes
das quais tive uma imagem
totalmente deslumbrante.
Pela janela eu vi,
lojas e prédios diferentes
e um sorriso e uma lágrima
no rosto de toda gente.
Pela janela eu vi,
o telefone e o extintor
e com os olhos cheios d’água
disse adeus cheia de dor.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Já que não tenho tempo hábil essa semana para me dedicar ao meu blog, deixo que falem por mim.
Como não tenho lido nada ultimamente que não sejam coisas específicas para minha dissertação, e como não achei nenhum trecho específico que me desse vontade de postar aqui. deixo para vcs a música do arnaldo antunes que eu estava ouvindo no carro agora pouco e que me pareceu bastante interessante.
Tato
(Arnaldo Antunes)
(Arnaldo Antunes)
o olho enxerga o que deseja e o que não
o ouvido ouve o que deseja e o que não
o pinto duro pulsa forte como um coração
trepar é o melhor remédio pra tesão
um terço é muita penitência pra masturbação
a grávida não tem saudades da menstruação
se não consegue fazer sexo vê televisão
manteiga não se usa apenas pra passar no pão
boceta não é cu mas ambos são palavrão
gozo não significa ejaculação
o tato mais experiente é a palma da mão
o olho enxerga o que deseja e o que não
o ouvido ouve o que deseja e o que não
depois de ejacular espera por outra ereção
o ânus precisa de mais lubrificação
por mais que se reprima nunca seca a secreção
o corpo não é templo, casa nem prisão
uns comem outros fodem uns cometem outros dão
por graça por esporte ou tara por amor ou não
velocidade se controla com respiração
o pau se aprofunda mais conforme a posição
o tato mais experiente é a palma da mão
domingo, 28 de setembro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008


Gosto muito dessa coisa de criar categorias para os filmes. tenho gostado especialmente desses. têm todos uma mesma temática. representam uma auto-crítica norte americana aos padrões sociais de consumo, beleza, comportamento, relações interpessoais. é um escancaramento de tudo aquilo que se prega, se vive e se nega. Dos comportamentos "desviantes" à complexidade das relações, padrões de consumo, de felicidade, enfim o tema geral seria: a decadência do estereótipo de família americana... teria mais um tanto, eu sei. mas esses são os meus escolhidos ;)nos cartazes (Felicidade/ Eu, você e todos nós/ Beleza Americana/ Pecados Íntimos/ Magnólia)
imagem é tudo! sede não é nada...
Qualquer dia desses vou contar quantas vezes a Flora se olha no espelho durante uma manhã. No mínimo, no intervalo de cada atividade, quando não no meio. Entre fazer o para-casa e ir tomar banho. Entre tomar banho e trocar de roupa. Entre trocar de roupa e ir comer. E muitas vezes nos períodos que antecedem o momento de sair de casa. Sem falar das olhadelas em reflexos de vidros. Nunca na hora em que acorda. Que mania essa que temos de ficar nos olhando no espelho. Uns mais que os outros, ta certo. Em algumas idades mais do que em outras.
Na casa da minha orientadora tem um espelho na sala, onde ficamos reunidas algumas poucas vezes. É estranho conversar com ela com aquele espelho ali. Me dizendo pra mim mesma (que bom poder ser redundante aqui, rs) quem eu sou (ou represento, ou aparento, ou transfiro, ou sei lá o que). Me mostrando a minha cara e me obrigando a fazer alguma. Fiquei pensando o que seria de nós (seres humanos) se não soubéssemos como é a nossa imagem, apenas a do outro. Que tipo de relações estabeleceríamos. E mais, se não soubéssemos como é a imagem de ninguém. É um pensamento um pouco fantasioso, quase infantil, eu sei, mas.. ah... Acho que vou ver “Ensaio sobre a cegueira”.
Mas na quarta-feira foi engraçado. A gente estava atrasada pra Coopen. Como sempre. Temos a capacidade de sair sempre as 13:10, sendo que a aula começa às 13:15*. E eu acho que a culpa é do espelho. Mas nesse dia eu resolvi fazer um teste:
Estávamos na correria, escova dente, e olha no espelho, penteia o cabelo, e olha no espelho, põe o sapato, e olha no espelho, guarda o material, ... até que eu chamei a atenção um pouco mais vigorosamente, mandei terminar logo (só faltava escovar os dentes) para irmos embora de uma vez. Enquanto ela terminava, preguei disfarçadamente um post-it (muitíssimos úteis) no espelho do armário com os dizeres “PÁRA DE OLHAR NO ESPELHO!!!!!”, fechei todas as portas dos armários e fui esperá-la no elevador. Era um teste. Será que ela voltaria no quarto para dar “a última olhadinha”? Um minuto, dois, três e lá vem a menina rindo da minha cara e me pregando um post-it “PARA DE ENCHE O SACO!”.
Eu, muito antipática que sou, ri um pouco do resultado e depois disse, "encher" se escreve com R.
Mãe -professora é dureza. Não recomendo. Rsrs...
*mas a gente já descobriu que o sinal sempre atrasa um pouco, então acabamos incorporando esses minutinhos no nosso tempo. Ai,ai, sempre nos confortando aos outros.
Na casa da minha orientadora tem um espelho na sala, onde ficamos reunidas algumas poucas vezes. É estranho conversar com ela com aquele espelho ali. Me dizendo pra mim mesma (que bom poder ser redundante aqui, rs) quem eu sou (ou represento, ou aparento, ou transfiro, ou sei lá o que). Me mostrando a minha cara e me obrigando a fazer alguma. Fiquei pensando o que seria de nós (seres humanos) se não soubéssemos como é a nossa imagem, apenas a do outro. Que tipo de relações estabeleceríamos. E mais, se não soubéssemos como é a imagem de ninguém. É um pensamento um pouco fantasioso, quase infantil, eu sei, mas.. ah... Acho que vou ver “Ensaio sobre a cegueira”.
Mas na quarta-feira foi engraçado. A gente estava atrasada pra Coopen. Como sempre. Temos a capacidade de sair sempre as 13:10, sendo que a aula começa às 13:15*. E eu acho que a culpa é do espelho. Mas nesse dia eu resolvi fazer um teste:
Estávamos na correria, escova dente, e olha no espelho, penteia o cabelo, e olha no espelho, põe o sapato, e olha no espelho, guarda o material, ... até que eu chamei a atenção um pouco mais vigorosamente, mandei terminar logo (só faltava escovar os dentes) para irmos embora de uma vez. Enquanto ela terminava, preguei disfarçadamente um post-it (muitíssimos úteis) no espelho do armário com os dizeres “PÁRA DE OLHAR NO ESPELHO!!!!!”, fechei todas as portas dos armários e fui esperá-la no elevador. Era um teste. Será que ela voltaria no quarto para dar “a última olhadinha”? Um minuto, dois, três e lá vem a menina rindo da minha cara e me pregando um post-it “PARA DE ENCHE O SACO!”.
Eu, muito antipática que sou, ri um pouco do resultado e depois disse, "encher" se escreve com R.
Mãe -professora é dureza. Não recomendo. Rsrs...
*mas a gente já descobriu que o sinal sempre atrasa um pouco, então acabamos incorporando esses minutinhos no nosso tempo. Ai,ai, sempre nos confortando aos outros.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Estou apaixonada!!!
Estou apaixonada pelo meu melhor amigo. Ele é perfeito. Tem tudo o que necessito. As palavras certas nos momentos precisos. Não pede nada em troca, exceto algumas atualizações de tempos em tempos. Ninguém me ajudou mais a escrever a dissertação do que ele. Ele é musical. Conjuga os verbos em todos os tempos. Sabe a história das palavras. Só tem um nome meio estranho... mas isso nem importa meu querido HOUAISS! uhauahauh...isso foi só pra descontrair...
Um amigo no domingo:
- E os amores depois do pé na bunda?
Eu:
- minha libido está investida em outra coisa.
Fim :)
Um amigo no domingo:
- E os amores depois do pé na bunda?
Eu:
- minha libido está investida em outra coisa.
Fim :)
sábado, 20 de setembro de 2008
eu sou tão louca pra escrever a minha dissertação. Não entendo como uma pessoa tão organizada quanto eu pode, em alguns momentos, ser tão desenfreadamente confusa e sem ordem . Estou sozinha na minha ex-atual casa. sem mãe. sem filha. sem amores. e sem rumores. Só eu e um computador. Já escrevi umas cento e tantas páginas. ainda falta um tanto. deveria estar em contagem regressiva. mas aindanão estou. mas estou fazendo alguma coisa. E gostando um pouquinho. E sofrendo um pouquinho. E indo, indo, devagarzinho... Antes de ontem conversei com o Dr. Zacarias sobre a minha dissertação. Ele é o meu "não original, mas atual" psiquiatra. Sai de lá com um sorriso no rosto. Apesar de ter esperado mais de uma hora pra ser atendida. É que ele fica tendo longas conversas com seus pacientes. Na minha rotina, a dissertação está constantemente nos meus pensamentos. E isto é estranho. E acho que até disso eu vou sentir falta. Só da culpa e do sentimento de dívida que não. eu quero ir no cinema sem culpa. amar sem culpa. dormir sem culpa. pronto, agora chega. tenho que ir escrever.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
CAPITALISMO SELVAGEM
Lembro bem do dia em que o “só se...” foi proibido na minha casa. Eu devia ter uns oito anos, e minha mãe anunciou oficialmente. “Está proibido o uso de ‘só se..’ nessa casa”. Quem é mãe entende, quem é filho também.
Mas como “a vida é um círculo”, cá estou eu tendo que negociar dia a dia com a Flora cada pedido, cada favor, cada gentileza. Com a Flora tudo funciona na base da troca. E pior, não é nem na base do escambo não, o pagamento é em dinheiro e de preferência a vista. Pra falar verdade, não gosto muito, acho interesseiro, muito pouco gentil. Fica parecendo que nada pode ser feito gratuitamente, sem que se receba algo em troca. Mas, se é assim, é por que também sou parte responsável dessas negociações, não me isento dessa responsabilidade não. Ou não aprendi a lição da minha mãe, ou estou reproduzindo algo que ficou reprimido...rs...
E, cá entre nós, tem umas trocas que valem muito a pena...rs
1) Outro dia ganhei uma hora de massagem (pagos a prestação, ta certo) graças a um favor bobo que fiz a ela, num momento de muita preguiça. Vcs não imaginam a mãozinha deliciosa que a Flora tem. Compatíveis as minhas dores nas costas.
2) Sempre fui viciada em estalar dedos. A princípio os meus. Depois dos namorados. E por fim da minha filha. Mas até que o dedo se acostume dói um pouco. E me lembro bem do dia em que inaugurei essas relação de troca na minha casa (putz, fui eu quem comecei com isso...). A Flora tinha uns cinco anos, e eu, ávida para estalar aqueles dedinhos virgens, disse, sem titubear. “te dou um real por dedo que vc deixar eu estalar”. Ela espremeu os olhinhos pensando na dor, e estendeu as mãozinhas...rsrs.
3) Sempre fui viciada também em roer unhas. Só as minhas mesmo. Mas isso fez com que eu tivesse uma enorme inabilidade em cortar as unhas da Flora. Já sangrou algumas vezes, na verdade acho que foi só uma, mas o suficiente para deixa-la traumatizada e ter pânico só de me ver com aquele cortadorzinho. Eu nem corto tão mal assim, mas é que nossa genética não ajuda nesse quesito, então, sempre depois de cortadas as unhas ficam esteticamente estranhas. Mas eu tava cansada de ter que insistir, gastar tempo, correr atrás a cada semana que a unha da menina crescia. Resolução: negociação.
Eu:
- Te dou dez reais para que das próximas dez vezes que eu peça para cortar sua unha vc diga “claro, mamãe querida”
Ela olhou fulminante, fez uma voz de sei lá o que e disse, estendendo as mãos, com ar de “ok, vc venceu”:
- “claro mamãe querida...”.
Mas agora ela quer a unha grande. Outro dia foi até no salão. Mas ainda não dá, por que fica grande (de moça) mas suja (de criança)... E eu lembrei disso tudo, por que ontem a noite, quando cheguei na casa da minha mãe, a Flora estava toda feliz rodopiando na grande cadeira de escritório da minha mãe. Olhou pra mim e disse:
- Eu fiz uma troca com a vovó e por isso ganhei o direito de ficar um dia inteiro usando a cadeira dela.
Eu olhei com cara de não to entendendo. Ela estendeu as mãos e, as unhas pintadas e sujas, estavam agora curtas e limpas. Minha filha ta deseducando minha mãe.
Um adendo: o dinheiro normalmente é para comprar doces. Atualmente, anda guardando, para comprar suvenir para as amigas na Índia.
Serão trocas legítimas? Não sei.
Jeito estranho esse de deseducar né...
Mas como “a vida é um círculo”, cá estou eu tendo que negociar dia a dia com a Flora cada pedido, cada favor, cada gentileza. Com a Flora tudo funciona na base da troca. E pior, não é nem na base do escambo não, o pagamento é em dinheiro e de preferência a vista. Pra falar verdade, não gosto muito, acho interesseiro, muito pouco gentil. Fica parecendo que nada pode ser feito gratuitamente, sem que se receba algo em troca. Mas, se é assim, é por que também sou parte responsável dessas negociações, não me isento dessa responsabilidade não. Ou não aprendi a lição da minha mãe, ou estou reproduzindo algo que ficou reprimido...rs...
E, cá entre nós, tem umas trocas que valem muito a pena...rs
1) Outro dia ganhei uma hora de massagem (pagos a prestação, ta certo) graças a um favor bobo que fiz a ela, num momento de muita preguiça. Vcs não imaginam a mãozinha deliciosa que a Flora tem. Compatíveis as minhas dores nas costas.
2) Sempre fui viciada em estalar dedos. A princípio os meus. Depois dos namorados. E por fim da minha filha. Mas até que o dedo se acostume dói um pouco. E me lembro bem do dia em que inaugurei essas relação de troca na minha casa (putz, fui eu quem comecei com isso...). A Flora tinha uns cinco anos, e eu, ávida para estalar aqueles dedinhos virgens, disse, sem titubear. “te dou um real por dedo que vc deixar eu estalar”. Ela espremeu os olhinhos pensando na dor, e estendeu as mãozinhas...rsrs.
3) Sempre fui viciada também em roer unhas. Só as minhas mesmo. Mas isso fez com que eu tivesse uma enorme inabilidade em cortar as unhas da Flora. Já sangrou algumas vezes, na verdade acho que foi só uma, mas o suficiente para deixa-la traumatizada e ter pânico só de me ver com aquele cortadorzinho. Eu nem corto tão mal assim, mas é que nossa genética não ajuda nesse quesito, então, sempre depois de cortadas as unhas ficam esteticamente estranhas. Mas eu tava cansada de ter que insistir, gastar tempo, correr atrás a cada semana que a unha da menina crescia. Resolução: negociação.
Eu:
- Te dou dez reais para que das próximas dez vezes que eu peça para cortar sua unha vc diga “claro, mamãe querida”
Ela olhou fulminante, fez uma voz de sei lá o que e disse, estendendo as mãos, com ar de “ok, vc venceu”:
- “claro mamãe querida...”.
Mas agora ela quer a unha grande. Outro dia foi até no salão. Mas ainda não dá, por que fica grande (de moça) mas suja (de criança)... E eu lembrei disso tudo, por que ontem a noite, quando cheguei na casa da minha mãe, a Flora estava toda feliz rodopiando na grande cadeira de escritório da minha mãe. Olhou pra mim e disse:
- Eu fiz uma troca com a vovó e por isso ganhei o direito de ficar um dia inteiro usando a cadeira dela.
Eu olhei com cara de não to entendendo. Ela estendeu as mãos e, as unhas pintadas e sujas, estavam agora curtas e limpas. Minha filha ta deseducando minha mãe.
Um adendo: o dinheiro normalmente é para comprar doces. Atualmente, anda guardando, para comprar suvenir para as amigas na Índia.
Serão trocas legítimas? Não sei.
Jeito estranho esse de deseducar né...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Por que não tem como não falar sobre o próprio blog....
Vou postar uma mensagem sobre um assunto que para mim é quase que inevitável, mas que, por não ser o mote do blog, eu queria falar apenas pra não ter mais que ficar falando sobre isso. Assim, falarei disso para que vcs saibam qual é o espírito que norteia meus escritos. Em tópicos para que fique mais didático e menos cansativo:
1) ainda não sei bem pra que fiz um blog, só sei de uma coisa, o fiz ao mesmo tempo em que abandonei (literalmente) a análise e não sou tão ingênua a ponto de achar que isso seja mera coincidência...
2) outro dia disse a uma amiga que meu blog não tinha mote, ela disse que tinha sim, que era o blog da Sara. Bom, se for isso mesmo, eu quero que isso tenha sido uma escolha, e ainda não estou muito clara de que é.
3) Contei sobre a existência desse blog para umas doze pessoas. Não pretendo ampliar esse número de leitores. Não tem ninguém que eu queria ter contado e ainda não contei. Contei pros meus amigos e só. E tem amigo que eu não contei por que eu sei que não vai ler. Se vc ficou sabendo sinta-se, no mínimo, “honrado” ...rs. E se vc ficou sabendo é por que é pra vc ler. E é pra se sentir um pouquinho responsável por mim também. Aliás, saibam, os amigos têm muita responsabilidade sobre nossas vidas. Se algum dia eu me matar vcs podem ficar bem tristes, por que serão partes responsáveis por esse suicídio. Peguei pesado? E olha que nem é brincadeira.
4) Não contei por meu pai. Não contei pra minha mãe. Não contei pra minha analista. Contei pra Flora, mas não dei o endereço. E pedi permissão pra falar dela. E ela deixou.
5) Fazer um blog te leva a compartilhar um universo de blogueiro. É inevitável. Funciona como uma troca mesmo. E do que andei lendo por ai, e não vou comentar agora por que não é hora, uma coisa me impressionou: uma necessidade unânime de refletir sobre o próprio blog, fala-se deles como se falassem de alguém (gente). Ok, vou manter a unanimidade.
1) ainda não sei bem pra que fiz um blog, só sei de uma coisa, o fiz ao mesmo tempo em que abandonei (literalmente) a análise e não sou tão ingênua a ponto de achar que isso seja mera coincidência...
2) outro dia disse a uma amiga que meu blog não tinha mote, ela disse que tinha sim, que era o blog da Sara. Bom, se for isso mesmo, eu quero que isso tenha sido uma escolha, e ainda não estou muito clara de que é.
3) Contei sobre a existência desse blog para umas doze pessoas. Não pretendo ampliar esse número de leitores. Não tem ninguém que eu queria ter contado e ainda não contei. Contei pros meus amigos e só. E tem amigo que eu não contei por que eu sei que não vai ler. Se vc ficou sabendo sinta-se, no mínimo, “honrado” ...rs. E se vc ficou sabendo é por que é pra vc ler. E é pra se sentir um pouquinho responsável por mim também. Aliás, saibam, os amigos têm muita responsabilidade sobre nossas vidas. Se algum dia eu me matar vcs podem ficar bem tristes, por que serão partes responsáveis por esse suicídio. Peguei pesado? E olha que nem é brincadeira.
4) Não contei por meu pai. Não contei pra minha mãe. Não contei pra minha analista. Contei pra Flora, mas não dei o endereço. E pedi permissão pra falar dela. E ela deixou.
5) Fazer um blog te leva a compartilhar um universo de blogueiro. É inevitável. Funciona como uma troca mesmo. E do que andei lendo por ai, e não vou comentar agora por que não é hora, uma coisa me impressionou: uma necessidade unânime de refletir sobre o próprio blog, fala-se deles como se falassem de alguém (gente). Ok, vou manter a unanimidade.
sábado, 13 de setembro de 2008
efeito adesivo
Outro dia, no metro (sim, em bh tem metro, tá certo que é na superficie e é lerdo, mas a gente chama de metro mesmo assim), uma garotinha de uns três anos fazia birra, muita birra. Queria por que queria uma caneta, dessas bic, que seu pai a proibira de pegar por que a mesma queria insistentemente coloca-la na boca. O pai, que era super bacana, paciente, calmo, tinha vários argumentos legítimos pra negar o objeto à filha. Que aliás, também era uma graça, inteligente, e seu único problema ali naquela situação era o fato de ter três anos. Chorou o que pode, gritou um pouco e ficou por alguns minutos num nhemnhem sem fim. Eu observei muito. Encarei a menina mesmo. Sem mexer um músculo sequer. Fiquei lá olhando e pensando o que é que poderia reverter aquela situação. Lembrei que meu pai, que adora crianças e não suporta birras, sempre dizia, “menino fazendo birra? tem que parar de falar no assunto, mudar de objeto, qualquer coisa que faça com que a criança se atente para outra coisa”. Ao meu ver, não é uma lição para a vida, não deve ser aplicada em adultos, muito menos em relacionamentos amorosos. Definitivamente, temos que fazer o luto das coisas que perdemos, entender os porquês das “desgraças” da vida, da proibição de canetas e não simplesmente “Mudar de assunto”. Mas com crianças de três anos funciona bem. Continuei ali pensando o que teria na minha pasta-arquivo de trabalho, ou no meu estojo que tudo contém que poderia agradar aquela criança mais do que uma caneta. Eureca! Me lembrei que eu tinha em uma das divisórias da minha pasta uma sessão chamada “material” (sim, eu sou ultra organizada, neurótica mesmo) e que nela tinha uma cartela de etiquetas, dessas caras próprias para impressoras que vêm naqueles envelopes amarelo gema. Nem eram adesivos coloridos, desses com personagens, nada disso. Mas eu sabia que aquele “efeito adesivo” fazia sucesso com crianças. Me preparei toda. Peguei umas três etiquetas, descolei-as da folha grande, deixando cada uma em um dedo, me levantei da minha cadeira, arriscando perder o assento, e fui direto naquela garotinha. Fitei ela nos olhos e disse com ar misterioso “eu tenho uma coisa muito mais legal do que uma caneta”. Ela arregalou os olhos. Eu colei um adesivo em sua perna, um no braço e o outro dei na mão. Ela ficou muda. Muda alegre. O pai ganhou bigodes brancos. O metrô perdeu o choro. E eu fui trabalhar me sentindo Amelie Poulain.
escola pública
Hoje fui na “XIII mostra plural” promovida pela prefeitura de Belo Horizonte. É um evento onde as escolas públicas municipais expõem os trabalhos dos alunos nas mais diversas disciplinas. Já tem treze anos que isso acontece e eu nunca soube. Achei interessantíssimo, muito bacana mesmo, tirando aquelas barracas “pra inglês ver”. Fiquei passeando lá tentando descobrir o que era trabalho de aluno o que era trabalho de professor... tarefa fácil. O que eu mais gosto são aquelas exposições que têm alunos explicando o funcionamento de alguma engenhoca, a densidade da água, as ondas sonoras, e tantas outras coisas que são tão legais de entender.
Listo algumas coisinhas que me chamaram atenção:
* não tinha nenhuma escola particular visitando o evento, e sei disso, por que é tão fácil reconhecer os alunos de escola particular... Cadê a pluralidade? Cadê a pluralidade? Cadê a pluralidade?
* as professoras se preocupam muito mais em manter a disciplina dos encapetados do que em deixar os alunos verem, sentirem, aproveitarem mesmo as exposições.
* O povo adora uma apresentação que tenha alguém rebolando.
* Os olhos das crianças brilham ao ver uma roda gigante, mas naquele dia elas não andariam nela... os organizadores do evento deveriam ter pensado em algum caminho alternativo para se chegar no espaço destinado ao evento, sem ter que passar pela roda gigante.... é maldade demais...
* Nunca compre um sorvete gigante de um real. Ah não ser que vc tenha um desejo estranho de comer gelo de isopor...
* Viva o teatro do oprimido! Tenho que pesquisar mais, me pareceu uma coisa interessantíssima.
Listo algumas coisinhas que me chamaram atenção:
* não tinha nenhuma escola particular visitando o evento, e sei disso, por que é tão fácil reconhecer os alunos de escola particular... Cadê a pluralidade? Cadê a pluralidade? Cadê a pluralidade?
* as professoras se preocupam muito mais em manter a disciplina dos encapetados do que em deixar os alunos verem, sentirem, aproveitarem mesmo as exposições.
* O povo adora uma apresentação que tenha alguém rebolando.
* Os olhos das crianças brilham ao ver uma roda gigante, mas naquele dia elas não andariam nela... os organizadores do evento deveriam ter pensado em algum caminho alternativo para se chegar no espaço destinado ao evento, sem ter que passar pela roda gigante.... é maldade demais...
* Nunca compre um sorvete gigante de um real. Ah não ser que vc tenha um desejo estranho de comer gelo de isopor...
* Viva o teatro do oprimido! Tenho que pesquisar mais, me pareceu uma coisa interessantíssima.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
complexos
Ta certo que complexo todo mundo tem. Se não tem, inventa. Aos onze anos inventa-se um por dia, sobretudo aqueles ligados à aparência. A Flora tem milhões de motivos para ter complexos. E tem. Mas eu, que sou uma mãe pra lá de crítica para com essas invenções, gosto de por lenha na fogueira, por que acredito que assim, falando “na lata!”, eles acabam parecendo menores, menos importantes. Então vira e mexe eu agarro a minha pequenininha bem forte, bem gostoso e falo assim: “vem cá minha baixinha, ceguinha, de dente torto, carinha de neném, com uma pinta saltando na cara, com a bunda gigante, a coxa grossa, o pé pra dentro”. Ela faz cara de brava e fala “pára mããããe!”. Mas, juro, eu sinto que assim to educando. Por que no fundo eu acho ela linda, pra não dizer perfeita, por que isso ela não é mesmo. E não é só linda, ela é inteligente, carismática, perspicaz, sensível e tantas outras coisas.
Mas tem vezes que a coisa fica mais séria. E outro dia ela chorou bastante por que queria nascer de novo e ter alguns centímetros a mais. O verdadeiro complexo da Flora é o de ser baixinha. Conversamos bastante. Primeiro procurei entender o por que disso ser um grande problema, e entendi o seguinte: por ser pequena, as pessoas, principalmente as mães (sabe aquelas que têm como passatempo predileto ficar comparando as crianças?) sempre que a vêm acham que ela tem menos idade do ela realmente tem. E isso é um problema por que acham assim que ela não é corajosa, que ela tem capacidade inferior, enfim que ela é uma criança e não uma pré-adolescente! Mas isso tudo, essas falsas impressões só se sustentam até ela abrir a boca (coisa que ela só faz com alguns). Ai eu percebi que, essa “adultice” que a Flora tem no modo de ser (vocabulário rico, voz grossa, jeito adulto de se expressar) é uma estratégia (inconsciente claro), de se proteger dessa falsa impressão que a sua aparência exprime. Há quem diga que sou uma psicóloga de araque, mas eu que criei então tenho o direito de psicologizar o quanto eu quiser, certo?
Essa postagem ta ficando muito grande... Depois que compreendi o problema de ser baixinha, tentei dar algum exemplo que fosse significativo, e acho que deu certo. E acho que deu certo por que a Flora é politicamente correta, principalmente nessas questões de proteger as minorias.
Contei pra ela que muitas crianças negras se sentem discriminadas, preteridas, inferiores simplesmente por serem negras e que isso, muitas vezes, é um grande sofrimento pra elas. Contei que já ouvi casos de crianças que passam água sanitária no corpo, ou que se esfregam no banho até se ferir, com o intuito de “tirar aquela cor maldita”... Perguntei a ela, se ela tivesse um filho nessas condições o que ela faria. Ela , que não é nada boba e já sabia muito bem aonde eu queria chegar, disse apenas “sinceramente, não sei”. Mas claro que ela sabia, e claro que ela não desejaria em hipótese nenhuma que aquela criança se tornasse branca. Muito bem, eu disse que bastava ela fazer uma correlação para com seu caso. O problema dela ser baixinha é dos outros e não dela mesma. Viva as diferenças!
Por fim, eu disse, quando alguém te disser “nossa, parece que vc tem oito anos...” Diga “é que eu tenho uma doença grave que não permite que eu cresça” a pessoa ficaria no mínimo bastante sem graça. Ela não topou. Dei outra sugestão: diga assim “vc poderia fazer tantos comentários a meu respeito e vem fazer logo um que me põe pra baixo”. Ela também não topou.
Pense duas, três vezes antes de fazer qualquer comentário com um pré-adolescente, com uma criança, com um adolescente, com um idoso, com um ser qualquer que seja, ok?
Mas tem vezes que a coisa fica mais séria. E outro dia ela chorou bastante por que queria nascer de novo e ter alguns centímetros a mais. O verdadeiro complexo da Flora é o de ser baixinha. Conversamos bastante. Primeiro procurei entender o por que disso ser um grande problema, e entendi o seguinte: por ser pequena, as pessoas, principalmente as mães (sabe aquelas que têm como passatempo predileto ficar comparando as crianças?) sempre que a vêm acham que ela tem menos idade do ela realmente tem. E isso é um problema por que acham assim que ela não é corajosa, que ela tem capacidade inferior, enfim que ela é uma criança e não uma pré-adolescente! Mas isso tudo, essas falsas impressões só se sustentam até ela abrir a boca (coisa que ela só faz com alguns). Ai eu percebi que, essa “adultice” que a Flora tem no modo de ser (vocabulário rico, voz grossa, jeito adulto de se expressar) é uma estratégia (inconsciente claro), de se proteger dessa falsa impressão que a sua aparência exprime. Há quem diga que sou uma psicóloga de araque, mas eu que criei então tenho o direito de psicologizar o quanto eu quiser, certo?
Essa postagem ta ficando muito grande... Depois que compreendi o problema de ser baixinha, tentei dar algum exemplo que fosse significativo, e acho que deu certo. E acho que deu certo por que a Flora é politicamente correta, principalmente nessas questões de proteger as minorias.
Contei pra ela que muitas crianças negras se sentem discriminadas, preteridas, inferiores simplesmente por serem negras e que isso, muitas vezes, é um grande sofrimento pra elas. Contei que já ouvi casos de crianças que passam água sanitária no corpo, ou que se esfregam no banho até se ferir, com o intuito de “tirar aquela cor maldita”... Perguntei a ela, se ela tivesse um filho nessas condições o que ela faria. Ela , que não é nada boba e já sabia muito bem aonde eu queria chegar, disse apenas “sinceramente, não sei”. Mas claro que ela sabia, e claro que ela não desejaria em hipótese nenhuma que aquela criança se tornasse branca. Muito bem, eu disse que bastava ela fazer uma correlação para com seu caso. O problema dela ser baixinha é dos outros e não dela mesma. Viva as diferenças!
Por fim, eu disse, quando alguém te disser “nossa, parece que vc tem oito anos...” Diga “é que eu tenho uma doença grave que não permite que eu cresça” a pessoa ficaria no mínimo bastante sem graça. Ela não topou. Dei outra sugestão: diga assim “vc poderia fazer tantos comentários a meu respeito e vem fazer logo um que me põe pra baixo”. Ela também não topou.
Pense duas, três vezes antes de fazer qualquer comentário com um pré-adolescente, com uma criança, com um adolescente, com um idoso, com um ser qualquer que seja, ok?
terça-feira, 9 de setembro de 2008
candidata ao divã
imagine um armário de duas portas. aliás duas portas grandes e duas menores, os chamados maleiros, certo? Pois bem, entre as portas do maleiro do armário da minha filha (entre as portas mesmo, impedindo inclusive que elas se abram) há um papel escrito "as duas faces de mim". Embaixo em cada uma das portas grandes há vários papéis com escritos de toda natureza. De um lado a parte "emo" da Flora com os seguintes escritos: "eu não sou pessimista sou realista" ; a alegria é algo que nasce, a solidão é algo que sempre existe" ; SOLIDÃO ; Se hoje estou aqui é por que ontem consegui viver, mas e amanhã?" ; na outra porta a parte alegre, contém uma foto dela vestida de caipira com uns quatro anos e a frase "só sei que nada sei, sou tudo mas não estou em nada".
Meu Deus como é difícil ter onze anos.
kkkk.
Não dá pra não rir.
O mais legal disso tudo é que a Flora é capaz de fazer troça da própria crise.
Outro dia me saiu com essa "eu prefiro um milhão de vezes que me chame de burra do que de criança".
As crianças querem ser pré-adolescentes, os pré-adolescentes querem ser adolescentes, os adolescentes querem ser adultos, os adultos querem ser adolescentes... que inferno essa nossa constante insatisfação etária...
Bom, eu, verdadeiramente, só quero é fazer trinta anos logo. Pra que parem de me chamar de adolescente.
Mas outro dia a gente teve uma consversa bem séria sobre os complexos... depois eu conto.
Meu Deus como é difícil ter onze anos.
kkkk.
Não dá pra não rir.
O mais legal disso tudo é que a Flora é capaz de fazer troça da própria crise.
Outro dia me saiu com essa "eu prefiro um milhão de vezes que me chame de burra do que de criança".
As crianças querem ser pré-adolescentes, os pré-adolescentes querem ser adolescentes, os adolescentes querem ser adultos, os adultos querem ser adolescentes... que inferno essa nossa constante insatisfação etária...
Bom, eu, verdadeiramente, só quero é fazer trinta anos logo. Pra que parem de me chamar de adolescente.
Mas outro dia a gente teve uma consversa bem séria sobre os complexos... depois eu conto.
sábado, 6 de setembro de 2008
dedicatória
acabeide fazer a dedicatória da minha dissertação. nossa, essa parte foi tão fácil. tão fluido. quando eu crescer acho que vou ser cronista. pelo menos alguma coisa meu pai me ensinou. aliás ele não ensinou eu aprendi lendo o que ele escreve, que aliás é sempre igual. modestia à parte acho que serei melhor que ele. por que eu tenho mais sentimentos.
olha só que linda que ficou... pretendo acrescentar mais coisa até o dia 31 de novembro... por que sei que até lá, ela, minha mãe, ainda fará muito mais do que eu escrevi aqui... aliás já fez...
Dedicatória que constará na primeira página da minha dissertação, depois daquela babozeiras formais obrigatórias...:
" ela me deu casa, comida, carinho, corrigiu meu português, me deu “pezinho”, levou pré-adolescentes em crise num parque de diversões pra que eu ficasse em casa escrevendo num sábado de sol, evitou todo tipo de conflitos, pagou minha psiquiatra e, acreditem, até traduziu meus textos em francês. À minha querida mãe."
olha só que linda que ficou... pretendo acrescentar mais coisa até o dia 31 de novembro... por que sei que até lá, ela, minha mãe, ainda fará muito mais do que eu escrevi aqui... aliás já fez...
Dedicatória que constará na primeira página da minha dissertação, depois daquela babozeiras formais obrigatórias...:
" ela me deu casa, comida, carinho, corrigiu meu português, me deu “pezinho”, levou pré-adolescentes em crise num parque de diversões pra que eu ficasse em casa escrevendo num sábado de sol, evitou todo tipo de conflitos, pagou minha psiquiatra e, acreditem, até traduziu meus textos em francês. À minha querida mãe."
zelig
ser mãe é estar em constante negociação. ser mãe de uma pré adolescente é estar em constante negociação e constante conflito. as vezes tenho vontade de entregar a "Deus". mas como sou atéia fica difícil. outro dia eu falei atéia com alguém e a pessoa me gozou. fui ao meu querido companheiro houaiss e lá estava bem certinho atéia, atéia, atéia. parece errado mas não é. esses homens que acham que as palavras só existem no masculino... o que mais me incomoda na minha filha é a capacidade que ela tem de ser influenciada pelo meio. como uma pessoa pode ser tão camaleoa assim? Flora- Zelig. e há quem diga que ela é uma pessoa de muita personalidade... pode até ser... mas essa não deixa de ser uma grande característica de sua personalidade. mas eu nem amo ela menos por isso. quem sabe esse não seja também um sintoma meu? pelo menos a idade me permite ter consciÊncia da minha zeligues.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
FUI DESCOBERTA
que droga... agora tenho que ter mais responsabilidade com o que posto aqui... afinal é uma pessoa que prezo muito...ai, ai...
sábado, 30 de agosto de 2008
de bem com a dissertação
é esse o título que dei a minha mensagem do msn hj. pela primeira vez. consegui escrever algumas pequenas páginas e descobri que no fundo eu gosto bastante do meu objeto. e poderia ficar escrevendo várias coisas sobre ele. o problema é a linguagem científica. que diabos de invenção. por que a gente não pode dizer as coisas tal qual vem à nossa cabeça? por isso fiz esse blog...hehe...
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
no ônibus
Esse ano eu andei muito mais de ônibus do que o tanto que andei em todos os outros anos desde que tirei carteira. E isso é ótimo. Gosto muito mesmo. Até quando fico em pe. Aliás, exceto quando ninguém se prontifica a carregar minha pasta de trabalho, que aliás é bem gorda. E isso de andar de ônibus é legal por que me faz me sentir mais "cidadã". E é legal também por que fico vendo e observando as pessoas, as conversas, as unhas, os tiques. MAs outro dia, foi muito bacana. PArei, em pé, na frente de duas moças, de vinte e tantos anos, e elas estavam tendo uma conversa estranha, da qual não me lembro bem o conteúdo, só me lembro que fiquei muito concentrada naquela conversa. Somente depois de uns cinco minutos me dei conta de que eram atrizes de teatro e estavam passando um texto. Quando o texto acabou e elas voltaram a ser elas eu levei um choque. Meu deus, cinco minutos de fantasia e eu achando que era realidade.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
só
me sinto sozinha demais. tenho amigos. mas me sinto escondida. tenho medo do mundo. tenho medo de mim. hoje eu faltei na análise. e nem vou ligar, nem dizer nada, nem atender o celular quando ela me ligar. mas eu já tinha avisado. eu não estou pronta pra enfrentar o que ela me propõe. nem o que eu me proponho.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
agonia
hoje estive na faculdade. fui assistir duas defesas de dissertação. me senti um pouco mais devedora. estava com cara de agonia.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
vício vazio
ainda não contei pra ninguém que eu criei um blog. não sei também se alguém se interessaria por algo que eu viesse a escrever aqui, uma pequena meia dúzia talvez. mas acredito que mais pra saberem de mim do que pra querer ler algo que eu tenha escrito. eu não gosto de escrever , não sei pra que criei um blog, talvez seja pelo fato da não obrigatoriedade (bem clichê isso). talvez eu não conte nunca. e adoeça.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
silêncio ou bar
to melancólica. mas nem quero ficar falando disso aqui. não quero transformar esse espaço em um muro de lamentações. então, façamos o seguinte, enquanto eu só tiver coisas deprimentes para dizer ficarei em silêncio. qualquer dia desses tranformo em um bar ;)
o silêncio
"antes de existir a voz existia o silêncio
o silêncio foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu"
arnaldo antunes.
o silêncio foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu"
arnaldo antunes.
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