Essa é uma pergunta que causa mais constrangimentos à mim (constrangimento: num sentido próprio do qual gosto de usar essa palavra que é isento de conotação negativa) do que à maioria das pessoas (isso considerando que a maioria das pessoas:ou nasceram onde moram, ou vieram de algum interior, no máximo um outro estado, e raramente de um outro país, e mais raramente ainda de uma cidade que, sem dúvidas, é não só a mais famosa, como a mais glamourosa da Europa, quiçá do mundo. Não que eu me envergonhe de ser de onde eu sou. Mas talvez por que essa pergunta me obriga, sem escolha, a compartilhar uma certa intimidade, sem que isso seja uma escolha. Mas no fundo acho que o que me constrange é exatamente por não corresponder à expectativa que a surpresa na nacionalidade causa. Isso não é exatamente um problema de auto-estima, nem nada disso não, algo tipo eu não estou à altura das francesas, não é nada disso, rs. É pelo simples fato de que eu não possuo nenhuma vivência da qual eu me lembro (por ter voltado com 9 meses) sobre o lugar de onde eu sou. Talvez “ter nascido em Paris” possa ter tido mais influência na construção daquilo que eu sou (essas coisas de identidade e etc) do que eu imagino. E ai fico com essas racionalizações superficiais como a que fiz acima: “não morei lá, logo, não sou de lá”. Mas, se é que existe essa tal influência, com certeza ela só foi construindo a minha “identidade” pelo fato de que a pergunta que dá título a esse texto nos é feita muitas vezes ao longo da vida (mais do que .vocês, os que sempre respondem naturalmente à ela, possam imaginar). Muitas vezes, inclusive sem que haja qualquer intimidade entre os interlocutores. Agora pensem que todas as vezes que ela me foi feita na vida ela desencadeou algum tipo de comentário, reação ou pedidos de explicação. É engraçado por que é algo que funciona em mim como um “estigma positivo”, e por isso mesmo carregado de estereótipos. E
estereótipos são sempre complicadíssimos por que é difícil driblá-los. Acho interessantíssimo reparar, por exemplo, no fascínio que nutre o imaginário coletivo ao redor dessa cidade. Fascínio este que é automaticamente transferido (psicanaliticamente falando) a mim, assim gratuitamente, sem que eu tenha qualquer controle da situação. Tem todo um charme, claro, mas no fundo, no fundo, fica mais a sensação de engodo do que de identificação. E eu, ai, ai, ai acho que eu sou só uma marionetezinha mesmo... já ouvi tantas vezes...“É, bem que eu já tinha reparado que você tem um jeitinho meio francesa mesmo”...haha... será? Meu Deus, que medo eu tenho desses comentários. Pqp, quantas coisas ocultas exprimimos com a nossa aparência? Larguei a análise e fiz um blog.
Fichas médicas e questionários
estereótipos são sempre complicadíssimos por que é difícil driblá-los. Acho interessantíssimo reparar, por exemplo, no fascínio que nutre o imaginário coletivo ao redor dessa cidade. Fascínio este que é automaticamente transferido (psicanaliticamente falando) a mim, assim gratuitamente, sem que eu tenha qualquer controle da situação. Tem todo um charme, claro, mas no fundo, no fundo, fica mais a sensação de engodo do que de identificação. E eu, ai, ai, ai acho que eu sou só uma marionetezinha mesmo... já ouvi tantas vezes...“É, bem que eu já tinha reparado que você tem um jeitinho meio francesa mesmo”...haha... será? Meu Deus, que medo eu tenho desses comentários. Pqp, quantas coisas ocultas exprimimos com a nossa aparência? Larguei a análise e fiz um blog.
Fichas médicas e questionários
Naturalidade: Brasileira.
Nacionalidade: Paris – FR.
Estado: em branco (na França não tem divisão de estados, oras)
Identidade: ?
PS: esqueci de um detalhe fundamental: esse negócio de ter nascido em Paris é só mais um capítulo charmoso da vida de AV presente nas melhores livrarias do país. Para aprofundar o entendimento desse tópico recomendo, aos meus fiéis leitores, o livro: “Afinal o que viemos fazer em Paris?” de Alberto Villas, Editora Globo. ;)
PS: esqueci de um detalhe fundamental: esse negócio de ter nascido em Paris é só mais um capítulo charmoso da vida de AV presente nas melhores livrarias do país. Para aprofundar o entendimento desse tópico recomendo, aos meus fiéis leitores, o livro: “Afinal o que viemos fazer em Paris?” de Alberto Villas, Editora Globo. ;)
6 comentários:
Uau! Então você nasceu em Paris? Bem que eu vi que uma menina tão charmosa não poderia ser assim, somente, brasileira :op. Well... ter nascido em Paris não te torna francesa. Não. Paris é parte de uma realidade que se assemelha bastante à diversas partes do mundo; metrópoles. Você ganharia 10pontos se tivesse nascido em Lyon, mas Paris... mais charmoso que Belo Horizonte, por certo... mas... bem nem tudo é perfeito, Sara poderia ser escocesa, País de Gales, Irlanda... Mas foi muito bom saber. Agora se eu estiver com vc na rua e alguém nos ver eu vou falar... "é, tava com minha amiga, francesa..." tá vendo... hehehe ganhei de quebra nessa bolsa dos engodos. Menina Sara, vc tem dupla cidadania? Tsc tsc... estou pensando aqui, com meus botões, em falar com um amigo meu pra não considerar certas considerações que eu fiz heheheh. Bjo, Sara :o*. Esse post foi meio de zuação só porque você voltou a escrever; abrir uma champagne, ou vinho... tsc Depois eu leio a parte "séria". Vou dar uma de metido: A França é dividida em estados, mas lá eles chamam de "Departamentos" ou coisa assim, mas é bem que nem estado mesmo. Iuhuuuu!!! Tem dupla cidadania??? Aiaiai... êta povo lento.
Ahn... eu nasci em Belo Horizonte, numa noite de dezembro, em meio à uma tempestade com raios e trovões de amedrontar adultos, blackouts e tudo mais. Coisa de predestinado, o nascimento vir acompanhado de fenômenos naturais marcantes. Podia ser um calor de rachar, mas não foi. Essa é a história que meus pais me contam, pelo menos. Só pra constar, uai. O tópico é sobre isso, pode sim! :_(
ah Paulo, gosto sempre muito dos seus comentários, tão atenciosos e enriquecedores, dignos de um leitor de verdade, e não desses que "passam os olhos", como tenho visto muitos por ai...
Não tenho dupla cidadania por uma questão da política interna da França, que é altamente xenófoba e não privilegia os imigrantes nem a pau. então para que eu tivesse dupla cidadania deveria ter morado lá até os cinco anos ou então ser filha de franceses, o que não é o caso... agora imagine quantas vezes eu também já contei essa história...hahaha...
último: não fique falando em códigos: que amigo? que considerações fez e não deveria ter feito? rs
bjinho para ti. te aguardo em bh. nessa mega visita que vc fará.
O amigo não precisa dizer quem é (nesse momento ele deve tá lendo isso aqui hehehe) em função do tipo de comentário... que foi mais ou menos "Hummm... sei não, tô achando você um leitor muito assíduo pra quem não quer... humm... pra quem não quer "nada"". Nada=tudo, entende? Ele usou uma palavra feia e não vou escrever palavras feias, aqui, sobretudo porque pode ter criança lendo, uai. Tudo de certa forma pode ser resumido em ingerir, no sentido de que comemos a vida... Não me xingue; eu nem sequer, de longe, sugeri que você tinha Blog. Ele descobriu sozinho. Mas está redondamente enganado, viu seu chato de galocha que anda fuçando no Blog da Sara? :o) Sim, muito enganado, porque... ahnn... porque está, oras... mas agora com essa de que ela nasceu na França... humm... a cotação na bolsa sempre sobre um pouquinho, né? Bjos para os que estiverm leeeennndooooooo... todos, até os meio fuçantes. :o) Bjos Sarinha.
ai, ai paulo, você sempre no limiar e na dúvida entre ser galanteador e chavequeiro... eu num ligo não, fica até bonitinho em vc essa coisa porno-cortez ....uhauhuauah...
E a você César, seja bem vindo, ainda que eu não tenha exatamente te convidado, tenho conscîência de que esse é um espaço público e portanto, sujeito aos olhos de todos. Permito-te até tecer comentários, se for o caso. Não precisa ficar escondidinho não. E não se aflija se não achar referências explitas à sua pessoa, como vc sentia ao expiar o blog da M. , pois aqui elas se fazem implicitamente, nem precisa procurar mt. ;)
E quando você descobre que não nasceu em lugar nenhum, ou melhor, não faz idéia de um lugar onde poderia ter nascido, ou então, não sabe ao menos que "nasceu"? No meu caso a água desapareceu com os vestigios do meu passado, e o fogo da vida, tanto aqui, quanto ali, consumiu minhas raizes. Minha crise é ser "auto-gerado" como um ser hermafrodita, ou algo mais bizarro ainda. Sem umbigo, oras. A territorialidade se faz cavando a terra, e plantando. Não acredito mesmo em origens, e no que elas trazem. Queimem os brasões das familias, abaixo a heráldica - a vida começa depois de nós, viva a ascedência. Um beijo, bella.
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