silêncio bar
domingo, 30 de novembro de 2008
notícias do mundo de lá...
Essa semana fui interrogada diversas vezes sobre como estava a Flora na Índia com todos esses atentados e mortes. E o que eu respondi a todos é que um silêncio absoluto era o que pairava na minha caixa de e-mail.
Tentei me convencer que essas notícias chegam aqui tais quais as de violência no Brasil chegam no exterior. e que continuamos todos vivos, e sem saber direito onde é a favela do Alemão.
Assim, imagino que sem dúvida sabemos mais dos atentados do que a Flora que está relativamente mais próxima.
Ontem recebi esse e-mail, que me divertiu e tranquilizou. aliás, achei que continua apressado, mas... tá , vou parar de reclamar.
"oi mae
tenho que escrever rapido a,anha te esctevo mais. Esta tudo bem e eu vou postar no blog a,amha. Ja to,ei banho no ganga e coloquei naja no pescoco mas sem querer deletei as fotos de todo mundo com a naja como cachegol. Esramos longe da internet, por isso esta meio difigol escrever, estamos em rishikesh, r ja esdou otima, adorando tudo. Esse teckado tem problema, nao desaprendi o portugues.
Beijos re escrevo mais depois e re amo."
o final é o mais engraçado.
Tentei me convencer que essas notícias chegam aqui tais quais as de violência no Brasil chegam no exterior. e que continuamos todos vivos, e sem saber direito onde é a favela do Alemão.
Assim, imagino que sem dúvida sabemos mais dos atentados do que a Flora que está relativamente mais próxima.
Ontem recebi esse e-mail, que me divertiu e tranquilizou. aliás, achei que continua apressado, mas... tá , vou parar de reclamar.
"oi mae
tenho que escrever rapido a,anha te esctevo mais. Esta tudo bem e eu vou postar no blog a,amha. Ja to,ei banho no ganga e coloquei naja no pescoco mas sem querer deletei as fotos de todo mundo com a naja como cachegol. Esramos longe da internet, por isso esta meio difigol escrever, estamos em rishikesh, r ja esdou otima, adorando tudo. Esse teckado tem problema, nao desaprendi o portugues.
Beijos re escrevo mais depois e re amo."
o final é o mais engraçado.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Diga não aos e-mail de três frases!!!
Claro, se eles forem burocráticos não há problema algum. Agora, e-mail de amigos distantes, de amores passados e de filhos na Índia não podem ter só três frases. Definitivamente. Dispenso esses. Eu gosto é de longas conversas e reflexões. Odeio aqueles que dizem, “E ai, tudo bem? Como vai?” ou “Aqui está tudo bem”. Não quero saber se está tudo bem apenas, quero detalhes, quero casos, quero curiosidades, quero sentimentos, quero sinal de vida vivida.
Esse ano tive quatro decepções nesse sentido. Uma que já se arrasta por anos, que na verdade não é via e-mail, mas sim via tel. Ele me liga sempre, quase toda semana. O celular me permite ver imediatamente quanto tempo durou a ligação. As dele nunca passaram de um minuto. Um minuto. Então resolvi parar de ligar e as vezes até de atender. Ele poderia gravar uma mensagem no celular e programá-lo para me ligar automaticamente uma vez por semana. Daria na mesma. “oi, tudo bem?” “tudo e ai? “tudo bem também, e a flora?” “tudo jóia, e as meninas?” “também.” “ah, então ta” “ta” bj e tchau. Argh, argh, argh!!!
O segundo e o terceiro já foram resolvidos, são meninos espertos que perceberam que eu preciso de mais do que um oi, como vai.
E a última, minha filha, ainda tem dois meses para me convencer de que é merecedora do meu legado... uhauahuahua... to pegando pesado mesmo. Se quiser falar comigo, fale de verdade, fale por inteiro, não sou mulher de meias palavras.
Esse ano tive quatro decepções nesse sentido. Uma que já se arrasta por anos, que na verdade não é via e-mail, mas sim via tel. Ele me liga sempre, quase toda semana. O celular me permite ver imediatamente quanto tempo durou a ligação. As dele nunca passaram de um minuto. Um minuto. Então resolvi parar de ligar e as vezes até de atender. Ele poderia gravar uma mensagem no celular e programá-lo para me ligar automaticamente uma vez por semana. Daria na mesma. “oi, tudo bem?” “tudo e ai? “tudo bem também, e a flora?” “tudo jóia, e as meninas?” “também.” “ah, então ta” “ta” bj e tchau. Argh, argh, argh!!!
O segundo e o terceiro já foram resolvidos, são meninos espertos que perceberam que eu preciso de mais do que um oi, como vai.
E a última, minha filha, ainda tem dois meses para me convencer de que é merecedora do meu legado... uhauahuahua... to pegando pesado mesmo. Se quiser falar comigo, fale de verdade, fale por inteiro, não sou mulher de meias palavras.
pequena filósofa
Aprendi a transformar a espera dos amigos, daqueles que sempre se atrasam mesmo, em bons momentos de observação da vida alheia. Tenho me tornado uma verdadeira voyeur do cotidiano. Ontem no CEU uma garotinha Clara, pais professores, intelectuais, ou algo do tipo e uma “babá”, menina-rica-loira que na verdade mais parecia uma filha de amigos do casal intelectual que tava querendo trabalhar pra fazer um pezinho de meia. O sotaque denunciava a origem sulista. A menina não precisava de babá. Já era grande e pelo meu olho clínico tinha exatos oito anos. Sou expert em descobrir idade de crianças. É só observar os sinais. Mesmo aquelas que são grandes demais, ou pequenas demais pra idade é possível adivinhar. E a Clara, essa garota ai que tava no CEU e que eu só sei o nome porque ouvi uma centena de vezes nos dez minutos de espera, tinha essa idade porque ainda usava franjinha, os dentes permanentes ainda estavam pela metade, fazia brincadeiras na piscina de ser atirada longe (mas esse tipo de brincadeira ela já tava parando de gostar) e se divertia testando sua própria capacidade de prender a respiração por longo tempo debaixo d’água, gostava de competições e tinha nos pais seus verdadeiros ídolos (ainda).
Mas o melhor foi a Clara dando um show de filosofia na menina-rica-loira-babá. A última propôs uma brincadeira de pega-pega na piscina. A Clara topou, mas após dois minutos e a percepção “clara” de que estava em desvantagem, deu uma tossida, não foi bem um fingimento de afogamento, longe disso, apenas um pequeno engasgo, mas tão logo a menina-rica-loira-babá veio ao seu encontro para ajudá-la, sem titubear Clara disse: “te peguei!” E a menina-rica-loira-babá: “espertinha!” e a Clara, meu deus, no auge de seus oito anos: “se não pode vencê-los, junte-se a eles!” A menina-rica-loira-babá num entendeu nada: “Anh?!” e a explicação didática veio em seguida pela própria Clarinha: “Veja bem se vc não consegue ir até a coisa você dá um jeito dela vir até você.”
Eu adoro a filosofia infantil.
Eu quis ir conversar com a menina, mas o olhar dos pais me constrangeu. Em tempos de pedofilia é bom nos resguardar de qualquer aproximação gratuita.
Por isso tenho meus próprios filhos. Pra transformá-los em seres pensantes. Em filósofos natos. Que saudade da minha filha e de suas reflexões. Minha pequena onde quer que esteja...
Mas o melhor foi a Clara dando um show de filosofia na menina-rica-loira-babá. A última propôs uma brincadeira de pega-pega na piscina. A Clara topou, mas após dois minutos e a percepção “clara” de que estava em desvantagem, deu uma tossida, não foi bem um fingimento de afogamento, longe disso, apenas um pequeno engasgo, mas tão logo a menina-rica-loira-babá veio ao seu encontro para ajudá-la, sem titubear Clara disse: “te peguei!” E a menina-rica-loira-babá: “espertinha!” e a Clara, meu deus, no auge de seus oito anos: “se não pode vencê-los, junte-se a eles!” A menina-rica-loira-babá num entendeu nada: “Anh?!” e a explicação didática veio em seguida pela própria Clarinha: “Veja bem se vc não consegue ir até a coisa você dá um jeito dela vir até você.”
Eu adoro a filosofia infantil.
Eu quis ir conversar com a menina, mas o olhar dos pais me constrangeu. Em tempos de pedofilia é bom nos resguardar de qualquer aproximação gratuita.
Por isso tenho meus próprios filhos. Pra transformá-los em seres pensantes. Em filósofos natos. Que saudade da minha filha e de suas reflexões. Minha pequena onde quer que esteja...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
PAISAGENS COSMOPOLITAS
* Contei 457 pessoas na fila do metro Barra Funda no domingo às 19:30 quando eu, ingenuamente, ia para o cinema.
* Fui e voltei, coincidentemente no mesmo vagão de metro que uma pós-adolescente. Descemos no mesmo ponto e provavelmente assistimos ao mesmo filme. Digo coincidentemente porque em uma cidade de XY milhões de habitantes penso que trata-se de algo pouco provável. Ou será que os guetos permitem isso? Será que já cunharam a expressão “SP é um ovo?”
* Minhas irmãs (14 e 18) não usam mais condicionador. Nem tem mais no box do bnheiro. Expressão de um tempo que quer cabelos rebeldes, disformes, menos comportados. É tempo de pomadas!
* Não aos saquinhos plásticos! E eu, ingênua, sentindo falta de puxa-sacos nas casas alheias. Agora todo mundo tem uma sacola, cada uma mais bacana que a outra, para trazer as compras do mercado.
* Vicky Cristina Barcelona foi o meu “passeio cultural obrigatório” de SP...rs... Woody, vc continua a ser o melhor para tratar a neurose e obsessão nos relacionamentos amorosos contemporâneos....uhauha
* Chorei em um aeroporto pela primeira vez na minha vida. Igual criança. (e lá se foi ela pro mundo de lá).
* Doei meu ouvido e minha mente a ouvir e refletir sobre as confissões de uma amigo desolado pelo amor.
* Descobri que Barão Geraldo, distrito de Campinas que abriga a UNICAMP, parece uma cidadezinha do interior. Muitíssimo agradável, por sinal. To gostando dessa coisa de cidades pacatas... quem diria...rs... isso é a oposição completa ao meu “ar cosmopolita” advindo da origem e criação...hehe.
* Me senti mais próxima como pessoa e mais vulnerável como ser humano. Pela possibilidade da perda.
* Fiz planos mentais.
* Fui e voltei, coincidentemente no mesmo vagão de metro que uma pós-adolescente. Descemos no mesmo ponto e provavelmente assistimos ao mesmo filme. Digo coincidentemente porque em uma cidade de XY milhões de habitantes penso que trata-se de algo pouco provável. Ou será que os guetos permitem isso? Será que já cunharam a expressão “SP é um ovo?”
* Minhas irmãs (14 e 18) não usam mais condicionador. Nem tem mais no box do bnheiro. Expressão de um tempo que quer cabelos rebeldes, disformes, menos comportados. É tempo de pomadas!
* Não aos saquinhos plásticos! E eu, ingênua, sentindo falta de puxa-sacos nas casas alheias. Agora todo mundo tem uma sacola, cada uma mais bacana que a outra, para trazer as compras do mercado.
* Vicky Cristina Barcelona foi o meu “passeio cultural obrigatório” de SP...rs... Woody, vc continua a ser o melhor para tratar a neurose e obsessão nos relacionamentos amorosos contemporâneos....uhauha
* Chorei em um aeroporto pela primeira vez na minha vida. Igual criança. (e lá se foi ela pro mundo de lá).
* Doei meu ouvido e minha mente a ouvir e refletir sobre as confissões de uma amigo desolado pelo amor.
* Descobri que Barão Geraldo, distrito de Campinas que abriga a UNICAMP, parece uma cidadezinha do interior. Muitíssimo agradável, por sinal. To gostando dessa coisa de cidades pacatas... quem diria...rs... isso é a oposição completa ao meu “ar cosmopolita” advindo da origem e criação...hehe.
* Me senti mais próxima como pessoa e mais vulnerável como ser humano. Pela possibilidade da perda.
* Fiz planos mentais.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
"O MUNDO É UMA ESCOLA, A VIDA É UM CÍRCULO"

Quando fiz dez anos e estava na quarta série meu pai levou eu e meu irmão para Paris.
Lembro que fomos no final de junho e portanto perdemos alguns dias de aula.
O que não era um problema em termos de prejuízos disciplinares uma vez que eu era “uma das melhores alunas”.
Mas eu lembro que eu perderia a festa junina.
E portanto os milhões de ensaios precedentes.
E lembro que me senti excluída por isso. Uma vez que durante todo o mês de junho as aulas de educação física (que a propósito eu adorava) foram gastas com esses ensaios.
Lembro que fomos no final de junho e portanto perdemos alguns dias de aula.
O que não era um problema em termos de prejuízos disciplinares uma vez que eu era “uma das melhores alunas”.
Mas eu lembro que eu perderia a festa junina.
E portanto os milhões de ensaios precedentes.
E lembro que me senti excluída por isso. Uma vez que durante todo o mês de junho as aulas de educação física (que a propósito eu adorava) foram gastas com esses ensaios.
Mas eu ia para Paris, então, uma festinha junina a mais ou a menos pouco importava. (aos olhos dos outros).
Não sei se meu pai sabe que eu perdi essa festa. E muito menos que isso poderia ser um grande problema, como para mim era.
A viagem pra Paris foi bem legal, e eu nem to reclamando não....rs.
19 anos depois....
Quando a Flora fez onze anos o pai dela resolveu leva-la para a Índia. Mas por motivos rodriguisticos (hehe) ele teria que ir em novembro. E o que me preocupou, de início, era a possibilidade dela perder as comemorações da formatura da quarta série. Pois sei que isso poderia representar uma perda irrecuperável. Tão marcante quanto uma viagem à Índia.
Posso parecer uma louca paranóica com as obrigações escolares, mas... ah, ta, de repente eu sou uma louca mesmo, num vou ficar justificando nada não :)
Ela vai na semana que vem.
Meu Deus, para a Índia!!!
Tão longe, tanto tempo, tão diferente, tão... (suspiros)
E só volta no início de fevereiro.
Vai ser uma experiência pro resto da vida e tomara que de boas lembranças.
Ninguém vai pra Índia.
E, por isso, essa viagem virou um ACONTECIMENTO. Todo mundo que a vê só fala disso. A viagem de formatura dela foi antecipada, oficialmente, por que “um aluno irá fazer uma viagem ao exterior”... e depois disso choveram perguntas, querendo saber, quando, onde, pra que, com quem....
A Coopen é tão bacana e atenciosa para com os seus alunos que não a deixariam de fora desse fechamento de ciclo. E conseguiram fazer de um jeito que valorizaram tanto a viagem de formatura quanto a dela para a Índia. E em termos de perda de conteúdos disciplinares, pouco me importo, afinal, a Flora é “uma das melhores alunas da sala”, então, o que perder, tira de letra em dois tempos. E ela merece muito, muito. Por que esse ano, mais do que os outros, ela foi uma filha e tanto.
Loucuras de uma mãe professora à parte, eu sei que essa viagem, no final das contas, será o máximo, que ela vai ver um monte de coisas diferentes, e comer comidas exóticas, e ter que se virar pra se comunicar, e etc, etc,etc.
Boa viagem minha pequena! A mamãe vai estar te esperando aqui.
Não sei se meu pai sabe que eu perdi essa festa. E muito menos que isso poderia ser um grande problema, como para mim era.
A viagem pra Paris foi bem legal, e eu nem to reclamando não....rs.
19 anos depois....
Quando a Flora fez onze anos o pai dela resolveu leva-la para a Índia. Mas por motivos rodriguisticos (hehe) ele teria que ir em novembro. E o que me preocupou, de início, era a possibilidade dela perder as comemorações da formatura da quarta série. Pois sei que isso poderia representar uma perda irrecuperável. Tão marcante quanto uma viagem à Índia.
Posso parecer uma louca paranóica com as obrigações escolares, mas... ah, ta, de repente eu sou uma louca mesmo, num vou ficar justificando nada não :)
Ela vai na semana que vem.
Meu Deus, para a Índia!!!
Tão longe, tanto tempo, tão diferente, tão... (suspiros)
E só volta no início de fevereiro.
Vai ser uma experiência pro resto da vida e tomara que de boas lembranças.
Ninguém vai pra Índia.
E, por isso, essa viagem virou um ACONTECIMENTO. Todo mundo que a vê só fala disso. A viagem de formatura dela foi antecipada, oficialmente, por que “um aluno irá fazer uma viagem ao exterior”... e depois disso choveram perguntas, querendo saber, quando, onde, pra que, com quem....
A Coopen é tão bacana e atenciosa para com os seus alunos que não a deixariam de fora desse fechamento de ciclo. E conseguiram fazer de um jeito que valorizaram tanto a viagem de formatura quanto a dela para a Índia. E em termos de perda de conteúdos disciplinares, pouco me importo, afinal, a Flora é “uma das melhores alunas da sala”, então, o que perder, tira de letra em dois tempos. E ela merece muito, muito. Por que esse ano, mais do que os outros, ela foi uma filha e tanto.
Loucuras de uma mãe professora à parte, eu sei que essa viagem, no final das contas, será o máximo, que ela vai ver um monte de coisas diferentes, e comer comidas exóticas, e ter que se virar pra se comunicar, e etc, etc,etc.
Boa viagem minha pequena! A mamãe vai estar te esperando aqui.
PS: para quem se interessar a flora fez um blog especialmente para a viagem e o Rodrigo também fez um (!!!!! pra quem era tão contra computador... uma enorme evolução...rs)
vejam ai:
http://blogbordo.blogspot.com/ - é o da flora
http://caravanavadhuta.blogspot.com/ - é o do Rodrigo
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