Terça feira fui no cinema com a Flora e a Luci. Vimos HSM 3 que tinha estreado na última sexta feira. Confesso que não sou uma mãe muito entusiasta com programas, filmes e desenhos dedicados aos teens. Mas fui por que fui convocada, e por que ouvi dizer por ai que fazia parte do meu papel de mãe. E venhamos, um filminho água com açúcar de vez em quando não faz mal a ninguém. Mas aí é que começam os problemas. High School Musical 3 não funciona nem como clichê. É muito, muito, muito ruim. A começar pelo musical, as músicas são péssimas, os atores idem, e a história (se é que pode se considerar que existe um enredo por trás daquilo ali) é mais boba que a mais boba das histórias. Pior que esse caldeirão de idéias fracas é ver as crianças, e mães, e pais, batendo palmas nos momentos de canções e muito empolgados com aquela água sem açúcar. Após a sessão, ainda no banheiro, não resisti “meninas, desculpe, mas, sinceramente, que filminho ruim!” e depois disso um monte de argumentos, justificando que eu tinha adorado o passeio, e que mesmo as coisas ruins me divertem por que nos fazem refletir sobre a péssima qualidade dos enlatados americanos. No carro, na volta, a Flora e a Luci (já to aplicando as amigas nessa coisa de pensar naquilo que gosta de uma forma um pouco mais atenta) chegam a seguinte conclusão “olha, criticamente falando, o filme é ruim, mas nem por isso a gente deixa de gostar” e depois me contaram que o “casal negro” do filme, tinha feito o teste para serem os protagonistas, mas foram preteridos pelos ohos azuis do mocinho escolhido. Na visão da Flora o homem e a mulher que compõem esse casal negro, que acabaram virando coadjuvantes, álém de serem os que atuam e cantam melhor são também os mais bonitos e, portanto, deveriam ser os principais. Será que ela pensa isso de verdade ou será que ela pensa isso apenas para ir contra os estereótipos dos padrões de beleza e status impostos socialmente? Será que essa é a verdade dela? não são todas as verdades construções? De toda forma, essas atitudes politicamente corretas sempre me incomodam um pouco, por que fica parecendo que o único modo de negar os padrões é invertendo os valores. E isso sempre me soa meio falso, forçado e até meio ingênuo. Ta bem, ta bem, é melhor que a alienação absoluta daqueles que só faltam fazer a coreografia em plena sessão de cinema.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
TERRITORIALIDADE – parte 1/3 “De onde você é?”
Essa é uma pergunta que causa mais constrangimentos à mim (constrangimento: num sentido próprio do qual gosto de usar essa palavra que é isento de conotação negativa) do que à maioria das pessoas (isso considerando que a maioria das pessoas:ou nasceram onde moram, ou vieram de algum interior, no máximo um outro estado, e raramente de um outro país, e mais raramente ainda de uma cidade que, sem dúvidas, é não só a mais famosa, como a mais glamourosa da Europa, quiçá do mundo. Não que eu me envergonhe de ser de onde eu sou. Mas talvez por que essa pergunta me obriga, sem escolha, a compartilhar uma certa intimidade, sem que isso seja uma escolha. Mas no fundo acho que o que me constrange é exatamente por não corresponder à expectativa que a surpresa na nacionalidade causa. Isso não é exatamente um problema de auto-estima, nem nada disso não, algo tipo eu não estou à altura das francesas, não é nada disso, rs. É pelo simples fato de que eu não possuo nenhuma vivência da qual eu me lembro (por ter voltado com 9 meses) sobre o lugar de onde eu sou. Talvez “ter nascido em Paris” possa ter tido mais influência na construção daquilo que eu sou (essas coisas de identidade e etc) do que eu imagino. E ai fico com essas racionalizações superficiais como a que fiz acima: “não morei lá, logo, não sou de lá”. Mas, se é que existe essa tal influência, com certeza ela só foi construindo a minha “identidade” pelo fato de que a pergunta que dá título a esse texto nos é feita muitas vezes ao longo da vida (mais do que .vocês, os que sempre respondem naturalmente à ela, possam imaginar). Muitas vezes, inclusive sem que haja qualquer intimidade entre os interlocutores. Agora pensem que todas as vezes que ela me foi feita na vida ela desencadeou algum tipo de comentário, reação ou pedidos de explicação. É engraçado por que é algo que funciona em mim como um “estigma positivo”, e por isso mesmo carregado de estereótipos. E
estereótipos são sempre complicadíssimos por que é difícil driblá-los. Acho interessantíssimo reparar, por exemplo, no fascínio que nutre o imaginário coletivo ao redor dessa cidade. Fascínio este que é automaticamente transferido (psicanaliticamente falando) a mim, assim gratuitamente, sem que eu tenha qualquer controle da situação. Tem todo um charme, claro, mas no fundo, no fundo, fica mais a sensação de engodo do que de identificação. E eu, ai, ai, ai acho que eu sou só uma marionetezinha mesmo... já ouvi tantas vezes...“É, bem que eu já tinha reparado que você tem um jeitinho meio francesa mesmo”...haha... será? Meu Deus, que medo eu tenho desses comentários. Pqp, quantas coisas ocultas exprimimos com a nossa aparência? Larguei a análise e fiz um blog.
Fichas médicas e questionários
estereótipos são sempre complicadíssimos por que é difícil driblá-los. Acho interessantíssimo reparar, por exemplo, no fascínio que nutre o imaginário coletivo ao redor dessa cidade. Fascínio este que é automaticamente transferido (psicanaliticamente falando) a mim, assim gratuitamente, sem que eu tenha qualquer controle da situação. Tem todo um charme, claro, mas no fundo, no fundo, fica mais a sensação de engodo do que de identificação. E eu, ai, ai, ai acho que eu sou só uma marionetezinha mesmo... já ouvi tantas vezes...“É, bem que eu já tinha reparado que você tem um jeitinho meio francesa mesmo”...haha... será? Meu Deus, que medo eu tenho desses comentários. Pqp, quantas coisas ocultas exprimimos com a nossa aparência? Larguei a análise e fiz um blog.
Fichas médicas e questionários
Naturalidade: Brasileira.
Nacionalidade: Paris – FR.
Estado: em branco (na França não tem divisão de estados, oras)
Identidade: ?
PS: esqueci de um detalhe fundamental: esse negócio de ter nascido em Paris é só mais um capítulo charmoso da vida de AV presente nas melhores livrarias do país. Para aprofundar o entendimento desse tópico recomendo, aos meus fiéis leitores, o livro: “Afinal o que viemos fazer em Paris?” de Alberto Villas, Editora Globo. ;)
PS: esqueci de um detalhe fundamental: esse negócio de ter nascido em Paris é só mais um capítulo charmoso da vida de AV presente nas melhores livrarias do país. Para aprofundar o entendimento desse tópico recomendo, aos meus fiéis leitores, o livro: “Afinal o que viemos fazer em Paris?” de Alberto Villas, Editora Globo. ;)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
A VIDA ROLA
A VIDA ROLA
(Flora Villas Carvalho e Luisa Machado)
As vezes fico pensando
Lá fora tem de tudo,
Desde carros diferentes
Até roupas de veludo
Lá fora é vida real,
Tem casas, lojas e prédios,
Mas nada
Nunca é igual
Atrás do muro
Rola de tudo
Desde gente namorando
Até gente assaltando
Aqui estamos no claro
Lá fora estamos no escuro
Mas em nenhum dos dois
Estamos totalmente seguros
As vezes fico pensando:
- Caramba! Lá fora a vida ta rolando!
(Flora Villas Carvalho e Luisa Machado)
As vezes fico pensando
Lá fora tem de tudo,
Desde carros diferentes
Até roupas de veludo
Lá fora é vida real,
Tem casas, lojas e prédios,
Mas nada
Nunca é igual
Atrás do muro
Rola de tudo
Desde gente namorando
Até gente assaltando
Aqui estamos no claro
Lá fora estamos no escuro
Mas em nenhum dos dois
Estamos totalmente seguros
As vezes fico pensando:
- Caramba! Lá fora a vida ta rolando!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Pela janela do metrô.
A Coopen é uma escola super bacana e é lá que a Flora estuda.
Quando eu era criança eu também estudei numa escola bacana.
Chamava Escola da Vila.
E eu cresci com o maior orgulho de dizer que minha turma foi uma das primeiras a se formar lá.
Essa escola cresceu e virou uma referência nacional em termos de pedagogia diferenciada.
E eu não tenho a menor dúvida de que virei educadora graças a essa experiência.
A Coopen não cresceu ainda, assim em termos de visibilidade e estrutura física, mas deveria.
E deveria por que tem aquilo que mais devemos prezar em uma escola, que é o espaço para que surja o desejo pelo conhecimento.
Lá, a Flora vira poeta com facilidade.
Outro dia fizeram uma visita ao metrô.
E da visita surgiram poesias e talvez as poesias voltem pro metrô em forma de arte .
Por que a Coopen não dá ponto sem nó.
PELA JANELA DO METRÔ
(Flora Villas Carvalho)
Pela janela eu vi,
ruas e casas andantes
das quais tive uma imagem
totalmente deslumbrante.
Pela janela eu vi,
lojas e prédios diferentes
e um sorriso e uma lágrima
no rosto de toda gente.
Pela janela eu vi,
o telefone e o extintor
e com os olhos cheios d’água
disse adeus cheia de dor.
Quando eu era criança eu também estudei numa escola bacana.
Chamava Escola da Vila.
E eu cresci com o maior orgulho de dizer que minha turma foi uma das primeiras a se formar lá.
Essa escola cresceu e virou uma referência nacional em termos de pedagogia diferenciada.
E eu não tenho a menor dúvida de que virei educadora graças a essa experiência.
A Coopen não cresceu ainda, assim em termos de visibilidade e estrutura física, mas deveria.
E deveria por que tem aquilo que mais devemos prezar em uma escola, que é o espaço para que surja o desejo pelo conhecimento.
Lá, a Flora vira poeta com facilidade.
Outro dia fizeram uma visita ao metrô.
E da visita surgiram poesias e talvez as poesias voltem pro metrô em forma de arte .
Por que a Coopen não dá ponto sem nó.
PELA JANELA DO METRÔ
(Flora Villas Carvalho)
Pela janela eu vi,
ruas e casas andantes
das quais tive uma imagem
totalmente deslumbrante.
Pela janela eu vi,
lojas e prédios diferentes
e um sorriso e uma lágrima
no rosto de toda gente.
Pela janela eu vi,
o telefone e o extintor
e com os olhos cheios d’água
disse adeus cheia de dor.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Já que não tenho tempo hábil essa semana para me dedicar ao meu blog, deixo que falem por mim.
Como não tenho lido nada ultimamente que não sejam coisas específicas para minha dissertação, e como não achei nenhum trecho específico que me desse vontade de postar aqui. deixo para vcs a música do arnaldo antunes que eu estava ouvindo no carro agora pouco e que me pareceu bastante interessante.
Tato
(Arnaldo Antunes)
(Arnaldo Antunes)
o olho enxerga o que deseja e o que não
o ouvido ouve o que deseja e o que não
o pinto duro pulsa forte como um coração
trepar é o melhor remédio pra tesão
um terço é muita penitência pra masturbação
a grávida não tem saudades da menstruação
se não consegue fazer sexo vê televisão
manteiga não se usa apenas pra passar no pão
boceta não é cu mas ambos são palavrão
gozo não significa ejaculação
o tato mais experiente é a palma da mão
o olho enxerga o que deseja e o que não
o ouvido ouve o que deseja e o que não
depois de ejacular espera por outra ereção
o ânus precisa de mais lubrificação
por mais que se reprima nunca seca a secreção
o corpo não é templo, casa nem prisão
uns comem outros fodem uns cometem outros dão
por graça por esporte ou tara por amor ou não
velocidade se controla com respiração
o pau se aprofunda mais conforme a posição
o tato mais experiente é a palma da mão
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