terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pela janela do metrô.

A Coopen é uma escola super bacana e é lá que a Flora estuda.
Quando eu era criança eu também estudei numa escola bacana.
Chamava Escola da Vila.
E eu cresci com o maior orgulho de dizer que minha turma foi uma das primeiras a se formar lá.
Essa escola cresceu e virou uma referência nacional em termos de pedagogia diferenciada.
E eu não tenho a menor dúvida de que virei educadora graças a essa experiência.
A Coopen não cresceu ainda, assim em termos de visibilidade e estrutura física, mas deveria.
E deveria por que tem aquilo que mais devemos prezar em uma escola, que é o espaço para que surja o desejo pelo conhecimento.
Lá, a Flora vira poeta com facilidade.
Outro dia fizeram uma visita ao metrô.
E da visita surgiram poesias e talvez as poesias voltem pro metrô em forma de arte .
Por que a Coopen não dá ponto sem nó.


PELA JANELA DO METRÔ
(Flora Villas Carvalho)

Pela janela eu vi,
ruas e casas andantes
das quais tive uma imagem
totalmente deslumbrante.

Pela janela eu vi,
lojas e prédios diferentes
e um sorriso e uma lágrima
no rosto de toda gente.

Pela janela eu vi,
o telefone e o extintor
e com os olhos cheios d’água
disse adeus cheia de dor.

5 comentários:

Maritaca disse...

Gostei muito da sensibilidade de miss Flora.

bjs!

Débora Rubin disse...

ai que liiiindo!! posso por no meu blog?

bjks

Sara Villas disse...

a dé colocou no blog dela, visitem lá e façam comentários, o blog dela é super legal, fala sobre cotidianeidades também, de uma paulista que anda a pé por aí... uhauahahu... já até te transformei em personagem....rs... e ela foi a minha principal influência pra criar um blog... pena que ele anda tão paradito. mas é por uma boa causa. (virou uma resposta-mini-postagem) ;) será que alguém lê alguma coisa aqui....rs

Sara Villas disse...

que lerda esqueci de dar o blog, se bem que é só clicar na carinha dela... saopauloape@blogspot.com

Pao-Lo disse...

Bom, sobre a beleza das observações poéticas da Florinha: além desse poema têm um sem número de cenas que a Sara relata que são... comoventes, coisa que faz qualquer homem querer ser pai. Não apenas pra vivenciar essas coisas, mas pra doar algo pra um serzinho tão especial. E me faz pensar que essas escolas de hoje em dia têm aprendido hehehe

Com relação às "Escolas Experimentais" da década de 80 (arma a metralhadora e se abaixa na trincheira heheheh): bem, estudei no Centro Pedagógico da UFMG. Emigrado de uma escola estadual de classe bem média mesmo. Devo dizer que entrei em uma das duas vagas abertas naquele ano para o meu período escolar. Eram mais ou menos 50 candidatos por vaga. Fui ovacionado pelos familiares. Achei que seria "mar em calma e viagem próspera"(nome de uma música maravilhosa do Mendelssohn). Sei que fui escolhido pela redação, porque eu gostava de escrever e ler, gostava mesmo, talvez até mais que hoje. Mas o Centro Pedagógico-UFMG me pareceu um laboratório gigante, colegas-camundongos todos meio iguais, todos filhos de professores da UFMG. Anos antes, meu pai havia sido professor na UFMG tb, mas muito me orgulho de dizer que ele pediu demissão por não suportar 30 jovens em idade adulta se portando como creonças. O meu descontentamento foi parecido, mas duvido que tivesse uma gota de influência dele, uma vez que sempre fui antagonista do meu pai, sempre torci contra o time dele, Seleção Brasileira inclusa. Meus colegas do C.P. traziam uma empáfia, uma pompa de "podemos anarquizar porque somos superiores, especiais, mais inteligentes"... um horror. Professores permissivos que em nome de uma "nova educação" cruzavam os braços e recostavam nas cadeiras sorridentes com a farra e sua pseudo-escola "sem muros". Tinha uma cerca-viva, apenas; mas sou lacaniano (até onde eu entendo aquele pirado) e cerca-viva é um nome muito mais assustador que muro. Fiz dois "amigos". Foi a única coisa humana que fiz ali. Fui mal recebido; era o único novato naquele ano e tudo era realmente estranho. Um menino magrelinho e baixinho da sala ao lado apanhava todo dia. No mínimo 3x por semana. Eu queria me aproximar dele e perguntar porque não denunciava aquilo pra diretoria, mas ele era total isolado e sempre aparecia um fortão que dizia "E aí, tá de cabeça baixa porque ainda não tomou sua porrada matinal, hoje?" E perguntavam pra mim se eu não tava afim de dar porrada nele. Não exagero em nada. Depois de dois meses nesse hospício, chorando muito antes de ir pra aula, meus pais atenderam meu pedido e voltei pra antiga escola estadual, com colegas bons, maus, favelados (não exagero), favorecidos, dignos, futuros delinqüentes etc etc; professores bem intencionados, rancorosos, sábios, burros, autoritários, outsiders (sim, já tinha isso... um tal que dava aula de ciências e jogava pitadas de política como "vocês sabiam que hoje acabou a censura no Brasil? Aliás, vocês sabem o que quer dizer essa tal censura?" Isso pra quarta série do 1o Grau. As colegas achavam ele lindo. Ele devia jogar charme). Bom, terminando essa arenga... minha experiência com escola experimental foi me sentir um rato de laboratório ou boi esperando o abate. Preferi voltar pra rua, com todos os problemas dela. Talvez fizesse diferente diante do mondo cane que vivemos hoje. Talvez o Centro Pedagógico-UFMG faça muito diferente, hoje. Pelo que vi na UFMG no bacharelado da Escola de Música as coisas mudaram um pouco no ethos da Universidade. Pro ensino eu levantaria alto e com força a bandeira do "Currículo Flexível". Muitos o fazem, mas acho que quando o currículo se flexibilizar de fato, talvez seja um pouco tarde demais. Sabe Deus o que isso quer dizer. Ahhh... tô um vinho demi-sec, hoje. Só meio seco, hein :o)